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06/10/2009

Primeira central nuclear árabe será construída nos Emirados

El País
Ángeles Espinosa Em Teerã
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram a construção da primeira central nuclear do mundo árabe para 2017. O projeto, que estava em discussão há vários anos, se concretizou no último domingo quando o presidente dessa federação, o xeque Khalifa bin Zayed Al Nahyan, assinou a lei geral para seu programa atômico, segundo informou ontem a imprensa local.

Por enquanto, o terceiro produtor mundial de petróleo destinou US$ 40 bilhões ao desenvolvimento de "um setor nuclear pacífico". "Os planos estão em marcha para que o primeiro reator entre em operação em 2017", anunciou Hamad al Kaabi, o representante local diante da Agência Internacional de Energia Atômica, citado pelo jornal "Khaleej Times".

Os Emirados estimam que sua demanda interna de eletricidade vá aumentar de 15 mil megawatts de 2008 para 40 mil em 2020, devido ao crescimento econômico e populacional. Cobrir essa diferença com hidrocarbonetos os obrigaria a reduzir as exportações destes, que proporcionam 80% da receita do Estado.

Sem dúvida inspirados pelo Irã, os seis membros do Conselho de Cooperação do Golfo (Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Qatar, Bahrein e Omã) há algum tempo demonstram interesse pela energia nuclear para enfrentar a crescente demanda de eletricidade e assim dispor de mais gás e petróleo para exportação. Se seguirem os passos dos Emirados, logo haverá uma corrida para conseguir especialistas e recursos. Abu Dhabi pretende construir três ou quatro reatores na primeira etapa, que serão iniciados um a um com intervalos de 18 meses, em função das necessidades energéticas. Mas, diferentemente de seu vizinho da outra margem do golfo Pérsico, eles se comprometeram a comprar o combustível nuclear necessário para seus reatores, de forma que não precise enriquecer urânio.

De fato, segundo a agência de notícias local WAM, a lei assinada pelo xeque Khalifa proíbe o enriquecimento de urânio e o reprocessamento do combustível utilizado, as duas técnicas que são suscetíveis de se utilizar na fabricação de armas atômicas. Esse compromisso lhe conquistou em maio passado uma promessa de cooperação do presidente norte-americano, Barack Obama. O Congresso dos EUA tem até o próximo dia 17 para emendar ou rejeitar esse acordo. Como é provável que o aprove, o pacto que Washington quer promover como modelo para o Irã permitirá que os EUA transfiram tecnologia nuclear civil para os Emirados durante os próximos 30 anos.

Por enquanto, a construção da primeira central já provocou o interesse de vários consórcios internacionais (um francês, outro coreano e outro misto americano-japonês). Al Kaabi evitou falar em datas, mas vários veículos da mídia estimam que o contrato poderia ser fechado em meados deste mês.

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