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07/10/2009

Associações de médicos querem reduzir a demanda de ajuda para morrer

El País
Emilio de Benito Em Madri
Cerca de 1% dos doentes terminais - incluindo os que estão sendo bem atendidos em unidades de tratamento paliativo - pede a seus médicos que lhes apliquem a eutanásia. O dado foi divulgado ontem pelo presidente da Organização Médica Colegial (OMC), Juan José Rodríguez Sendín, e pelo presidente da Comissão Central de Deontologia da OMC, Marcos Gómez Sancho. A porcentagem é pequena, e por isso os representantes do coletivo de médicos acreditam que a prioridade absoluta hoje deve ser estender os tratamentos paliativos. "Provavelmente se deve dar uma resposta a esse 1%", mas " o prioritário e urgente" é que "todo mundo tenha acesso a tratamentos paliativos". Porque seu objetivo é que "a demanda de eutanásia diminua ao mínimo possível", disse Gómez Sancho.

É impossível saber exatamente quantas pessoas representam esse 1%. Mas pode-se fazer uma aproximação. Em 2007 morreram na Espanha 385.361 pessoas, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatísticas. Delas, aproximadamente 100 mil morreram em acidentes, de infartos e outras patologias que podem ser associadas a uma morte rápida, sem agonia ou com pouco sofrimento. Isso quer dizer que cerca de 2 mil pessoas por ano gostariam que alguém aliviasse de maneira drástica seu sofrimento com a eutanásia, que hoje é ilegal na Espanha.

Mas os médicos acreditam que antes de lhes dar uma resposta é preciso solucionar outros aspectos. "Nosso trabalho é retirar os fatores que levam ao pedido de eutanásia. Tenho de evitar que as pessoas a peçam", disse ontem Rodríguez Sendín, durante a apresentação de um documento da OMC sobre o tratamento médico no final da vida.

Para consegui-lo, seu objetivo é promover os tratamentos paliativos, um tipo de cuidado que está "francamente deficiente" na Espanha, insistiu o presidente dos médicos espanhóis. "Há muita margem para melhora. Não tem cabimento outros debates enquanto este não for concluído", salientou Rodríguez Sendín. Mais contemporizador, Gómez Sancho afirmou que a "eventual legalização da eutanásia não é prioritária". Mas deixou uma porta aberta: "Não dizemos que seja uma barbaridade", disse.

O problema é que, atualmente, os pacientes não têm acesso a tratamentos paliativos em igualdade de condições. Mais da metade das pessoas morre com dor, 24% recebem reanimação cardíaca, embora sejam terminais, e 55% ainda estão com a sonda nasogástrica no momento da morte, disse Gómez Sancho. Números que em 2001, em um relatório da Organização de Consumidores e Usuários (OCU), eram ainda piores: 80% sentiram dor nos 15 dias anteriores à morte, 60% haviam morrido no hospital (quando 85% tinham manifestado expressamente que não queriam que fosse ali) e 2,5% haviam manifestado em algum momento o desejo de que acabassem com sua vida - e seu sofrimento.

Os médicos indicaram que as ilhas Canárias, a Catalunha e a Extremadura contam com os planos de tratamentos paliativos mais avançados. E em seu manifesto lembraram aspectos chaves, como que tratar a dor "não é uma questão opcional, mas um imperativo ético" do médico, mesmo que isso implique usar grandes quantidades de morfina, com o "efeito indesejável" de encurtar a vida.

Como sempre que se debate a alternativa entre tratamentos paliativos e eutanásia, destacou-se o caso da Holanda, o primeiro país que permitiu essa prática. Gómez Sancho disse que quando isso aconteceu, em 1990, quase não havia tratamentos paliativos na Holanda. Hoje, porém, estão melhor dotados que na Espanha nesse sentido, e nesse período o número de solicitações de eutanásia caiu para menos da metade.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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