UOL Notícias Internacional
 

07/10/2009

"Os progressistas da Europa só ganharão se se adaptarem às mudanças", diz ex-chefe de gabinete de Clinton

El País
José Manuel Calvo Em Madri
John D. Podesta (nascido em Chicago em 1949) é o perfeito elo da cadeia que une - com oito anos de George W. Bush no meio - a etapa democrata de Bill Clinton com a nova administração: foi chefe de gabinete de Clinton e chefe da equipe de transição de Barack Obama. Podesta apoiou Hillary Clinton nas primárias - fidelidade ao clã até a morte - e não quis nenhum cargo no novo governo. Preferiu continuar à frente do Centro para o Progresso Americano (CAP, na sigla em inglês) que ele criou em 2003 para hospedar a batalha das ideias.
  • Stan Honda/AFP

    Para Podesta, o que Obama fez em seus primeiros 25 dias é algo que "a maioria dos presidentes não consegue nem em seus primeiros 25 meses"



O CAP, junto com a Fundação Ideias do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), acaba de reunir em Madri duas centenas de políticos e especialistas de 30 países para criar uma estratégia global de progresso. É mais fácil ou mais difícil com a crise econômica? "Deveríamos considerá-la uma oportunidade. Mas, levando em conta o que acaba de acontecer na Alemanha, é evidente que uma oportunidade pode ser aproveitada ou desperdiçada. Isso é o que discutimos aqui: as ideias, as mensagens e os programas que garantem que é possível uma solução progressista que dê oportunidades, que leve a um crescimento mais forte, mas compartilhado."

Neto de imigrantes italianos e gregos, Podesta é pragmático até a medula: "É preciso ter um argumento, mas o que se necessita de verdade são resultados. Os líderes com visão de futuro e que conseguirem resultados das promessas realizadas são os que serão recompensados".

A discussão, ele insiste, "é sobre o papel e o programa dos governos que querem compatibilizar a inovação e um crescimento forte com oportunidades para todos, especialmente se se cumprirem os prognósticos de uma recuperação global que será fraca. Temos de discutir que resposta se deve dar".

Às vezes há forças conservadoras mais abertas a mudanças sociais? E partidos que se consideram progressistas e que na verdade são rígidos? "Creio que é um pêndulo que vai e vem. Depois de um longo período no governo, há um momento em que um partido fica sem gasolina e o outro, que esteve fora pensando nos desafios, nos problemas, está pronto para substituí-lo. A única coisa de que tenho certeza é que se os progressistas europeus não puderem encontrar uma maneira de se adaptar às mudanças, não ganharão. O fato de que em política só se conseguem resultados se suas ideias forem respaldadas por uma maioria e você chegar ao poder é um fator que o ajuda a pôr as coisas em ordem, é algo que obriga os partidos rígidos a dizer: precisamos revisar nosso modelo."

Para Podesta, o que Obama fez em seus primeiros 25 dias - abordar a crise e assentar as bases para a reforma da saúde, da energia e do meio ambiente - é algo que "a maioria dos presidentes não consegue nem em seus primeiros 25 meses". "E restaurou a imagem global dos EUA."

Quanto ao debate sobre a saúde, mostra-se otimista depois dos furores de agosto e da redução de algumas reivindicações: "Minha previsão é que no final de novembro teremos uma lei. O que está surgindo do debate no Congresso indica que haverá uma ampliação da cobertura médica, com um seguro particular que seja acessível e com subsídios públicos para que as pessoas de renda média e baixa não fiquem fora do sistema".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,31
    3,266
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,60
    62.662,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host