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08/10/2009

Obama se mantém firme no Afeganistão

El País
Antonio Caño Em Washington
Ao se completar nesta quarta-feira exatamente oito anos do início da guerra no Afeganistão, os EUA estão decididos a manter sua presença militar no país, embora sem determinar ainda em que quantidade e com que estratégia. Barack Obama só tem certeza, por enquanto, de que não vai ordenar uma retirada nem uma redução substancial do número de soldados. O resto está em consideração.

O presidente americano reuniu-se ontem com seus principais assessores políticos e militares em uma longa sessão dedicada monograficamente ao Afeganistão. Na última sexta-feira teve um encontro das mesmas características, e há outro convocado para hoje. Obama quer escutar todas as vozes e calibrar todas as alternativas antes de anunciar o que o secretário da Defesa, Robert Gates, qualificou como "uma das decisões mais transcendentais de sua presidência".
  • Romeu Gacd/AFP

    À falta de uma nova estratégia, a Casa Branca fica em cima do muro e antecipa que não haverá retirada nem redução de tropas no Afeganistão



Gates é um dos personagens que mais influirá nessa decisão. Outro é o general James Jones, o conselheiro nacional de Segurança, o único militar na equipe dos colaboradores mais próximos do presidente. Gates, um republicano que ocupou o mesmo cargo no governo anterior, traz experiência e prudência. Jones é um grande veículo de comunicação com os militares em um momento em que surgiram certos atritos entre a Casa Branca e os responsáveis pela operação no Afeganistão.

Tanto Gates como Jones disseram nos últimos dias que abandonar o Afeganistão ou deixar ali uma presença testemunhal de tropas não é uma opção. Agora o próprio presidente assumiu essa posição e a transmitiu aos principais líderes de ambos os partidos no Congresso. "Nenhuma das alternativas estudadas contempla a possibilidade de uma forte redução das forças mobilizadas", confirmou um alto funcionário.

Obama comunicou nesta terça-feira aos congressistas, segundo essa mesma fonte, que tomará sua decisão o mais cedo possível - não parece que antes de algumas semanas - e que não se trata necessariamente de escolher entre dobrar o número atual de soldados (68 mil) ou reduzi-lo drasticamente, o que dá a entender que não fará nenhuma das duas coisas. Também lhes disse que o que finalmente decidir provavelmente não será do gosto de todos os membros do Congresso nem de todo o país.

E isso se pode dar por certo. Depois de uma guerra que já dura mais que a do Iraque ou a Segunda Guerra Mundial e que está perto de se transformar na mais longa da história deste país, acumulam-se os sintomas de cansaço e confusão. Segundo uma extensa pesquisa da Universidade Quinnipiac divulgada ontem, 49% dos americanos não acreditam que seja possível cumprir o objetivo de acabar com a ameaça terrorista.

Os principais responsáveis do país estão divididos sobre o melhor caminho a seguir. O comandante militar no Afeganistão, o general Stanley McChrystal, defendeu sua proposta de aumentar o número de tropas (mais 40 mil) até o limite de ser acusado de insubordinação pela imprensa de esquerda. McChrystal tem o apoio de seu superior imediato, o general David Petraeus, que ensaiou com êxito uma estratégia semelhante no Iraque, e dos principais dirigentes republicanos, que pediram a Obama que atenda a 100% do pedido do polêmico militar.

"Estou convencido de que a análise do general McChrystal não só é correta como deve ser aplicada imediatamente", declarou o ex-candidato presidencial John McCain. Tanto ele como seus companheiros de partido pressionaram nesta quarta-feira o presidente a tomar uma decisão urgente, diante da deterioração da situação em campo. Mais de um quarto das 900 baixas mortais dos EUA desde o início da guerra ocorreram este ano.

Para Obama não é tão simples como repetir no Afeganistão o que deu certo no Iraque. Aquela estratégia foi implementada por um presidente desesperado sem nenhum horizonte político. Desta vez, quem tem de decidir é um homem com toda a sua gestão pela frente. Os riscos para ele são enormes. Não só pelo perigo evidente de ser derrotado em um campo de batalha onde ninguém antes triunfou, como pelo custo de fazê-lo contra a vontade de seus eleitores. Os dirigentes democratas se negam a enviar mais tropas, e na porta da Casa Branca os mesmos que antes se manifestavam contra a guerra de Bush começaram a se manifestar contra a guerra de Obama.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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