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09/10/2009

Conservadores britânicos recebem com alegria o programa centrista de Cameron

El País
Walter Oppenheimer Em Manchester (Inglaterra)
A militância tory (conservadora) deixou nesta quinta-feira o Centro de Convenções de Manchester com a íntima convicção de que na próxima primavera voltarão ao poder e David Cameron será - já é - o próximo primeiro-ministro. Isto é, que depois do que serão 13 anos de inevitável parêntese tudo voltará à normalidade após as próximas eleições.

Seu jovem e dinâmico líder dirigiu-se ontem a eles e a todo o país em um tom deliberadamente plano, fugindo de triunfalismos solenes, mas falando quase como primeiro-ministro. Sua maior vitória foi ver a alegria com que a militância assumiu o centrismo moderado que destilou em todo o seu discurso, ancorado, porém, no coração do pensamento conservador: mais indivíduo, muito menos governo.

Os conservadores anunciam a austeridade aos eleitores britânicos

Os conservadores decidiram não poupar os eleitores britânicos. Se eles vencerem as eleições previstas para junho de 2010, o que todas as pesquisas preveem hoje, eles conduzirão uma política de austeridade. "Estamos todos no mesmo barco", repetiu sete vezes George Osborne, o ministro das Finanças do gabinete paralelo de David Cameron, na terça-feira (6), durante a conferência do partido, em Manchester, "navegamos em um mar de dívidas".



"Este é o meu DNA: família, comunidade, país", disse Cameron várias vezes. Se nesta terça-feira o provável chanceler do Tesouro, George Osborne, lhes desenhou arriscadamente um panorama negro de esforços fiscais e cortes de gastos, Cameron traçou ontem um panorama celestial que casava muito bem com o cenário.

A austeridade escolhida na semana passada pelo trabalhismo para acompanhar as palavras do primeiro-ministro Gordon Brown contrastam com a leveza e as cores suaves que revestiram seu rival conservador. Telas gigantescas refletiam em três das quatro paredes do recinto um suave céu azul com agradáveis nuvens brancas movidas pelo vento. Atrás de Cameron, fazendo jogo com as cores e as faixas da bandeira britânica, o lema central da renovação conservadora: "Preparados para a mudança".

Cameron escolheu uma postura de gravidade calculada, mas descontraída. Desta vez fugiu do teatral e desgastado recurso de recitar de memória, fazendo ver que improvisava, com que em 2005 ganhou a liderança e dois anos depois o confirmou no que foi talvez seu momento de maior fragilidade à frente do partido. Ontem, escondeu-se atrás de uma tribuna, mas renunciou ao teleprompter e se limitou a consultar de vez em quando o texto que tinha escrito.

Um texto no qual não faltou uma advertência inicial de que "vai ser duro" voltar aos bons tempos depois de uma longa etapa de governos trabalhistas, que ele resumiu de forma catastrofista como tempos de muito governo, muita burocracia, tempo perdido, dinheiro desperdiçado, irresponsabilidade e insensatez.

Desenhou um país dominado por uma "sociedade partida" e uma "política partida", que atribuiu às três legislaturas trabalhistas. Foi especialmente sarcástico com Gordon Brown, ajudado pelo vídeo inicial em que o primeiro-ministro foi apresentado com sua habitual cara de poucos amigos.

Houve muita filosofia nas palavras de Cameron, mas muito poucas ideias novas e praticamente nenhum anúncio de políticas concretas. No controverso tema da construção europeia, não detalhou o que pensa fazer se o Tratado de Lisboa entrar já em vigor quando os conservadores chegarem ao poder e se limitou a lembrar, como já sabemos, que quer devolver aos Estados membros poderes que hoje competem à UE.

Também não buscou o aplauso fácil - demasiado fácil, talvez, no tema europeu -, mas não resistiu a definir a UE como "uma instituição que ninguém escolhe, na qual não se destitui ninguém e na qual as contas não são aprovadas há dez anos". Não disse, é claro, que a última coisa que um conservador britânico eurocético como ele desejaria são eleições para um governo europeu.

Reafirmou seu compromisso em um sistema de seguridade social gratuita para os usuários e em acabar com a "cultura da dependência" gerada pelo Estado do bem-estar, e atribuiu os crônicos problemas de comportamento antissocial a uma "ruptura da moralidade" provocada pelo excessivo peso do Estado. Na realidade, nada que um político trabalhista também não pudesse dizer.

Talvez isso seria o mais chocante para um militante conservador que tivesse acordado ontem de um sono de 20 anos. O velho Partido Conservador aclamou ontem, com mais alegria que euforia, um político centrista que poderia estar falando em nome do grande rival trabalhista se alguém tivesse moderado - não necessariamente eliminado, apenas moderado - suas constantes críticas ao peso do Estado na vida britânica.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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