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10/10/2009

Justiça iraniana condena primeiro dissidente à pena de morte depois das últimas eleições

El País
Ángeles Espinosa Em Teerã (Irã)
O tribunal revolucionário de Teerã pronunciou a primeira sentença de morte contra um dos acusados de fomentar os protestos pós-eleitorais, segundo informaram o portal do Comitê de Repórteres de Direitos Humanos (schrr.net) e o site reformista Mowjcamp.com. O condenado se chama Mohammad Reza Ali Zamaní e é integrante da Associação Monárquica do Irã, que foi proibida de atuar. A notícia veio à tona dois dias depois que o poder judiciário ordenou o fechamento de três jornais reformistas, em uma decisão que foi vista como uma nova tentativa de controlar a informação e impedir novas queixas.
  • Lucas Jackson/Reuters

    Mahmoud Ahmadinejad: protestos contra sua reeleição condenaram dissidente à pena de morte



Ao que parece, na segunda-feira passada Zamaní foi transferido da prisão de Evín para a sala 15 do tribunal revolucionário, onde o juiz Abdolqasen Salavatí comunicou a a condenação. De acordo com a legislação iraniana, pode-se recorrer da sentença perante um tribunal superior. As autoridades não confirmaram nem desmentiram a notícia. Nenhuma das fontes confirmou as acusações imputadas a ele. Em 8 de agosto, quando Zamaní compareceu à mesma sala junto com outros réus, a agência semi-oficial Mehr disse que ele era acusado de "ser um membro ativo de uma associação terrorista da monarquia iraniana, de realizar atividades de propaganda contra o sistema islâmico e participar em manifestações com o objetivo de minar a segurança nacional". Segundo essa fonte, o réu tem 37 anos.

Seu depoimento foi então eclipsado pelos testemunhos da cidadã francesa Clotilde Reiss e dos empregados locais das Embaixadas da França e do Reino Unido, além dos de vários membros importantes da oposição reformista. Foi a segunda etapa de um julgamento realizado durante o verão contra cerca de 150 supostos instigadores dos protestos que seguiram à controversa reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Na segunda-feira passada, o tribunal da imprensa também fechou dois jornais pró-reformistas, "Farhang-e Ashti" (Cultura de reconciliação) e "Arman" (Objetivo), de alcance nacional, além do influente "Tahlil-e Ruz" (Análises do dia) que era editado na cidade de Shiraz. Há apenas um mês também foi retirado das bancas o jornal opositor "Etemad-e Melli" (Confiança nacional). Os observadores veem nessas medidas a clara determinação das autoridades de silenciar as vozes críticas que surgiram desde as eleições de junho passado. Enquanto isso, o suspeito desaparecimento de um cientista nuclear durante uma peregrinação a Meca pode se transformar em outro obstáculo nos esforços internacionais para que o Irã esclareça as intenções de seu programa atômico.

O ministro de Relações Exteriores, Manuchehr Mottaki, acusou na quarta-feira os EUA de estarem envolvidos no desaparecimento de Shahram Amirí, de quem a família não tem notícia há quatro meses. Ainda que Mottaki só o tenha identificado como "um cidadão iraniano", a rede PressTV revelou que ele dava aulas na Universidade de Malke Ashtar, vinculada à Guarda Revolucionária e considerada pela ONU como um local de pesquisa nuclear. O site conservador Jahannews foi mais além e disse que ele trabalhava na recém-descoberta fábrica de enriquecimento de Qom. Isso foi tudo o que os analistas precisavam para sugerir que ele pode ter desertado e revelado e existência dessa instalação.

Tradução: Eloise De Vylder

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