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16/10/2009

Khadafi nomeia seu filho "nº 2" e sucessor

El País
Ignacio Cembrero Em Madri
Foi uma reunião secreta em Sebha, um oásis no deserto a 800 km ao sul de Trípoli. Ali o líder líbio, Muammar Khadafi, se encontrou há uma semana com os chamados Comandos Populares e Sociais, uma assembléia de chefes tribais e notáveis que, em teoria, é o órgão executivo máximo.

O lugar escolhido por Khadafi, 68 anos, era importante e o anúncio que ele fez também. Em Sebha ele cursou o colegial e despertou para a política. Aos notáveis ali reunidos, pediu que outorgassem um cargo relevante ao segundo de seus filhos homens, Saif el Islam (Espada do Islã), 37 anos.

Dinastias republicanas

SíriaBashar al Assad dirige a Síria desde 2000, quando ascendeu à Presidência depois da morte de seu pai, Hafez, que governou o país desde 1971.
EgitoGamal Mubarak se perfila como sucessor de seu pai, Hosni, que detém o poder desde 1981. Gamal ocupa um alto cargo no Partido Nacional Democrático.
Coreia do NorteKim Jong-il, o "querido líder" de Pyongyang, sucedeu a seu pai, o "grande líder" Kim Il-sung, depois da morte deste em 1994. A dinastia rege o país desde 1948.
CubaRaúl Castro substituiu seu irmão Fidel à frente do governo cubano. Raúl assumiu funções de forma interina em 2006 e definitiva em 2008.


O líder lhes pediu que o cargo não representasse sua entrada no governo, porque então não duraria mais que quatro anos, e Saif el Islam precisava de mais tempo para levar adiante suas reformas. Deu inclusive a entender que poderia deixar que seu filho se encarregasse dos assuntos nacionais enquanto eles se ocuparia de "resolver os problemas da África".

O conteúdo da reunião em Sebha foi teoricamente confidencial, mas dois jornais líbios, "Quryna" e "Oea", destilaram alguns detalhes, provavelmente a pedido das autoridades. É preciso preparar a opinião pública.

O auditório a que Khadafi se dirigiu discutiu o pedido do líder. Concorda em ressaltar a "honestidade e o espírito patriótico" de Saif el Islam e que merece ser nomeado por unanimidade "coordenador dos Comandos Populares e Sociais", com competência para "tutelar o Congresso do Povo (Parlamento), o governo e todos os órgãos de segurança". A designação formal ocorrerá em breve.

Na obscura hierarquia líbia, Saif el Islam se transformará assim no número 2 do regime, ou seu chefe de Estado, submetido apenas à autoridade de seu pai, o líder da revolução. O "Quryna" publicou na capa uma fotografia em que aparecem Khadafi e seu filho, ilustrando a nova realidade do poder.

Khadafi comemorou em agosto com grande pompa seus 40 anos no poder - o jovem oficial do exército derrubou a monarquia em 1969 - e agora está muito ocupado com sua presidência da União Africana, mas o empenho em colocar seu filho na linha de sucessão obedece a outros motivos.

Saif el Islam estudou arquitetura em Trípoli e em Viena e possui inclusive um escritório na capital líbia. Desde 2003 "desempenhou funções importantes na gestão de conflitos, como no caso Lockerbie ou no desmantelamento do programa nuclear, cuja solução permitiu que a Líbia se reabilitasse e melhorasse sua imagem", lembra Haizam Amirah, pesquisador do Real Instituto Elcano.

Na medida em que a Líbia se reinseria na comunidade internacional, Saif el Islam ia ficando sem trabalho porque não desempenha nenhum cargo. Seu pai quis "tirá-lo do desemprego", brinca um opositor do regime em um fórum na internet.

Em seu discurso em Sebha, Khadafi argumentou que a atribuição de maiores responsabilidades a seu filho era "uma necessidade nacional para combater a corrupção e compensar a falta de compromisso e patriotismo de alguns dirigentes", prossegue Amirah. "É difícil imaginar que ele efetue tal depuração", afirma.

O que fará então o filho predileto de Khadafi? Deu sinais de ser um liberal em termos econômicos. Por isso Amirah prevê, citando os críticos de Saif el Islam, que "está mais interessado em levar adiante a abertura econômica do que em iniciar um processo de democratização". "Aprofundar relações com o exterior com fins comerciais, antes de conceder mais direitos e liberdades aos 6 milhões de líbios."

Com a proposta, que em sua boca parece uma ordem, que fez na semana passada aos notáveis líbios, Khadafi se situa na mesma linha que outros dirigentes árabes - o falecido presidente sírio Hafez el Assad ou o egípcio Hosni Mubarak - que distorcem as instituições republicanas para que seus filhos herdem o cargo que eles detêm.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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