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16/10/2009

"O fascismo de Berlusconi é de gravatas Armani", diz Saramago

El País
Miguel Mora Em Roma
"Não tenho a menor dúvida de que Berlusconi quer implantar o fascismo na Itália", afirma o escritor português José Saramago. "Não é um fascismo como o dos anos 30, feito de gestos ridículos como levantar o braço. Mas tem outros gestos igualmente ridículos. Não será um fascismo de camisas negras, mas de gravatas Armani." O escritor está magro e frágil, fala com um fio de voz, mas tirou forças não se sabe de onde e aqui está, em turnê pela Itália, para apresentar seu livro "O Caderno", que foi lançado no país pela editora Bollati Boringhieri.

Saramago chegou nesta quarta-feira a Roma vindo de Milão e antes esteve em Alba (Piemonte). O público se emociona e irrompe em aplausos quando canta as verdades do barqueiro e lança impropérios e acusações. "Berlusconi corrompe tudo o que toca." "Berlusconi é patético, ridículo e vulgar." E mais: "Berlusconi diz que é ofensivo que uma prostituta vá à televisão. E que vá para a cama do primeiro-ministro não o é?"
  • Nacho Doce/Reuters

Saramago completa 87 anos no mês que vem. Sabe que esta viagem será a última que fará à Itália e está contente por ver que seu espírito irreverente e suas verdades incômodas seduziram um público cativo. "As pessoas têm vontade de ouvir essas coisas. Não é verdade que Berlusconi seja a mesma coisa que a Itália", conta, sentado diante de um desjejum que não toca, em seu quarto do hotel Locarno em Roma. "Ele gostaria disso. O que não quer dizer que eu tenha esperança de que nada mude. Vejo poucas consciências despertas. Ainda bem que há algumas, porque senão tudo estaria perdido."

Nesta terça-feira o acompanharam ao teatro Parenti o jornalista Marco Travaglio e o escritor Marco Belpoliti. Leram trechos do livro os atores Anna Galiena e Alessandro Cremona. Antes, em Alba, mais de mil pessoas lotaram o teatro municipal para ouvi-lo falar sobre o poder da palavra. Nesta quinta-feira o encontro foi no teatro Quirini Gassman.

"Esta recepção demonstra que não há diferença entre a escrita de um blog e a escrita literária", comenta. "O livro é um compêndio de textos literários sobre a atualidade. Creio que para o público é indiferente esse debate sobre a imediatez do jornalismo. Querem ler coisas de qualidade e ideias."

"O Caderno", uma resenha literária da atualidade mundial escrita ao longo de um ano e meio em seu blog (http://cuaderno.josesaramago.org), já está na lista dos ensaios mais vendidos, depois que a Einaudi, sua editora de sempre, declinou sua publicação pelos epítetos que o Nobel de 1998 dedica a Silvio Berlusconi.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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