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17/10/2009

Google expande seu papel no mundo dos livros

El País
Carles Geli
Enviado especial a Frankfurt (Alemanha)
A gigante da Internet por excelência dá uma nova e inesperada volta de parafuso em sua ambição para intervir no negócio de livros. O assunto tem nome e sobrenome: Google Edition. E vem a significar a entrada da máquina de buscas na venda de conteúdos editoriais. Uma nova oferta de plataforma digital de livros eletrônicos (e-books) é a surpresa que a companhia trouxe para a Feira do Livro de Frankfurt. Com ela se fecha o círculo. A Google já era bibliotecária, livreira e distribuidora. Agora será editora online, empacotadora de novidades e fundos de catálogo que outros lhe forneçam para vender na rede. Será lançada no final deste ano ou início do próximo nos EUA e na Inglaterra, e em junho em uma dezena de países, entre eles a Espanha.

A proposta não é belicosa. Passa por abrir a participação no projeto a autores, editoras, livreiros e oferecer uma quantidade crescente de livros digitalizados que não seriam baixados da maneira tradicional, mas acessíveis através de conexão à Internet. Isso permitiria que o livro (a Google pretende iniciar com uma oferta de 500 mil títulos digitalizados) pudesse ser lido tanto em uma tela de computador como em um celular, um dispositivo de leitura (ligado à Internet) ou em um televisor.

"Trata-se, por um lado, de que a tecnologia não apresente problema algum como a maioria dos formatos que se oferecem agora, que são fechados, e de que todo o setor participe, por isso preferimos falar em ecossistema do livro, mais que em plataforma", afirma Luis Collado, representante da Google na Espanha. E essa seria a razão pela qual a empresa não entrará por enquanto na criação de dispositivos de leitura próprios, como os da Sony e da Amazon.

A mecânica, que está recebendo boas impressões "porque se entende como uma nova oportunidade barata e simples de comercializar seus conteúdos", passaria pelas seguintes opções: a editora cede um livro físico ou em formato PDF à Google, que se encarrega de sua digitalização. Uma vez realizada, o livro passa aos servidores da empresa, que pode comercializá-lo diretamente, ou através do site da editora ou de uma livraria. Conforme a via, a Google ficaria com uma porcentagem diferente do preço final, que oscilaria entre 15% se o vender através da editora, 37% se o comercializar diretamente e 55% se for através de uma livraria online.

O usuário teria acesso ao livro através de uma conta aberta na Google, onde deverão constar seus dados pessoais e bancários. É exatamente essa informação que, segundo Collado, garantirá a menor pirataria. E o sistema está preparado para que o leitor não perca o livro mesmo que a conexão seja interrompida: "Fica em uma espécie de memória cachê do aparelho, que não será apagada enquanto não for desligado".

Quem comprar seu livro eletrônico no Google Edition poderá, além de formar sua biblioteca virtual, marcar as páginas e fazer anotações, cortar e colar até no máximo 20% de seu conteúdo e imprimir algumas páginas, "mas nunca a totalidade do livro". "Através do registro do volume no ISBN (sistema internacional de catalogação de livros) e pela conta, sabemos a todo momento o que o usuário faz."

O preço será "o que a editora escolher: só é preciso ter os direitos digitais e saber para que regiões do mundo pode vendê-lo", explica o representante da máquina de buscas, em outra diferença tática em relação à Amazon, que oferece todos os títulos por US$ 9,99, valor que os especialistas qualificam de não rentável.

Esse modelo abre a possibilidade de que um autor procure o Google Edition e proponha que coloque seu livro em sua plataforma. Sem intermediários? "Sim, se tiver os direitos eletrônicos, mas uma editora cuidará da qualidade do texto; a Google oferece uma plataforma. Mas não somos editoras à maneira tradicional."

A oferta da Google está aberta por sua vez às plataformas das editoras que já começaram a criar as suas, como o triunvirato Random House Mondadori-Planeta-Santillana, 36 L (Grupo Cultura 03 e Vicens Vives) ou Zona e-book (Edhasa e Castalia). Seu lançamento coincide com o anúncio da Amazon de vender seu aparelho de leitura Kindle fora dos EUA para cem países e também buscar acordos de direitos específicos para cada região. A entrada pacífica do ecossistema do Google Edition procura compensar a polêmica que seu Google Books gerou, principalmente nos EUA e em parte da Europa, ao ter digitalizado maciçamente os acervos de dezenas de bibliotecas.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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