UOL Notícias Internacional
 

20/10/2009

Exército paquistanês ergue novas bases para controlar a zona taleban

El País
Ángeles Espinosa
Enviada especial a Islamabad (Paquistão)
"Não somos uma força de ocupação, temos o apoio da população", declarou na segunda-feira o porta-voz do exército paquistanês durante uma entrevista coletiva. O general Athar Abbas respondia à acusação de que os 28 mil soldados enviados para o Waziristão do Sul são poucos para enfrentar os 10 mil a 15 mil taleban entrincheirados ali. No local, entretanto, o militar admitiu estar encontrando dura resistência. O temor é que, na medida em que se vejam cercados, os insurgentes recorram a ações terroristas no resto do país para tentar reduzir a pressão sobre si mesmos.

Abbas, que compareceu diante da imprensa acompanhado pelo ministro da Informação, Qamar Zamna Kaira, explicou que o exército está consolidando suas posições antes de continuar avançando no território dos mehsud, a tribo que constitui a espinha dorsal dos taleban paquistaneses. A Operação Caminho da Salvação constitui um teste da determinação do governo para enfrentar uma insurgência cada vez mais ousada. No terceiro dia de operações morreram dois soldados e 18 rebeldes, o que eleva as vítimas mortais para nove e 78, respectivamente, segundo as cifras oficiais.

"Conseguimos cercar Kotkai, a localidade natal de Qari Hussain, o mentor dos terroristas suicidas", salientou o porta-voz militar. Ele também informou sobre o estabelecimento de cinco novas bases na fronteira afegã para encerrar esse distrito e evitar que os rebeldes possam escapar. A milícia auxiliar da região de Punjab, por sua vez, implementou patrulhas para vigiar o distrito de Blakkar, fronteiriço com a Província da Fronteira Noroeste, e impedir uma possível fuga taleban para o leste.

A mídia local afirmava que os confrontos entre as forças de segurança e os taleban no Waziristão do Sul se prolongaram durante toda a noite de domingo para segunda feira. Mas não há informações independentes porque os jornalistas estrangeiros têm o acesso proibido às regiões tribais e a maioria dos paquistaneses abandonou esse distrito e trabalha no vizinho Dikhan. Até agora os milicianos parecem ter-se entrincheirado em posições fortificadas das quais respondem aos ataques militares.

Abbas indicou que os soldados encontraram uma "resistência feroz" em Sherwangi e, segundo a imprensa, "os terroristas dispararam um foguete contra o forte Shakai". Mas o temor é que na medida em que o exército consiga enfrentar suas táticas guerrilheiras os taleban recorram à chamada guerra assimétrica. O país está em alerta.

Por que o Paquistão vai ao ataque no Waziristão do Sul

A decisão de iniciar a ofensiva foi precipitada pela série de atentados espetaculares cometidos nas últimas duas semanas pelos taleban, ou seus aliados jihadistas, contra as grandes cidades do Paquistão, deixando um total de 160 mortos. Depois do ataque a Islamabad contra a sede do Programa Alimentar Mundial da ONU, houve assaltos visando o Estado-Maior do exército paquistanês em Rawalpindi, perto da capital, três postos de polícia em Lahore e dois atentados suicidas em Peshawar

O jornal "The News" mencionou ontem na primeira página "o risco de que a zona vermelha de Islamabad possa ser o próximo alvo dos terroristas". Informantes e políticos batizaram de "zona vermelha" o distrito onde se encontram o Parlamento, a Presidência, os ministérios e outras áreas governamentais, além do enclave diplomático. Os postos de controle e as barreiras de cimento que são cada vez mais comuns nas ruas acabaram transformando essa parte da capital em um lugar quase fantasma. Os pequenos táxis amarelos onipresentes no resto da cidade têm o acesso proibido. Os demais têm o porta-malas revistado e seus ocupantes devem exibir a documentação como se atravessassem uma fronteira.

A maioria dos 10 mil policiais com que conta Islamabad se concentra ali, mas os especialistas estimam que seriam precisos 30 mil agentes para manter a segurança. Talvez por isso as autoridades tenha preferido fechar por uma semana, "por razões de segurança", diversas escolas e faculdades nas principais cidades do país. "Se pensam que atacando crianças vão ganhar a população, estão muito enganados", queixou-se uma residente da capital. Mas segundo a mídia local neste caso a suspeita não é tanto de atentado como de que os taleban possam realizar uma espetacular tomada de reféns para reduzir a pressão militar sobre seu feudo no Waziristão do Sul.

Escolas corânicas, pensões e pequenos hotéis de Islamabad e as comarcas rurais de seus arredores estão sendo objeto de revistas em busca de milicianos que tenham conseguido fugir do assédio militar. Já há uma dezena de detidos, e as autoridades advertiram contra a presença de ativistas estrangeiros.

Por outra parte, a imprensa paquistanesa informou sobre a presença no país do chefe do comando central americano, general David Petraeus, e do senador John Kerry. Petraeus, que foi responsável pelas operações no Afeganistão e no Iraque, está mantendo conversações com os chefes militares, enquanto Kerry deverá se reunir de forma separada com os principais dirigentes políticos para tratar da ajuda de US$ 7,5 bilhões (cerca de 5 bilhões de euros) que os EUA ofereceram ao Paquistão e que alguns políticos locais consideram inaceitável, devido às condições que impõe ao papel do exército na vida política.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    0,31
    3,232
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h20

    -0,44
    74.157,38
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host