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25/10/2009

Políticos de Berlim relembram na Espanha momentos cruciais da queda do muro

El País
Quase todo o dia da última quinta-feira foi em Oviedo 9 de novembro de 1989. Os prêmios Príncipes de Astúrias distinguiram a história de superação da reunificação de Berlim. E três de seus prefeitos chegaram como emissários da cidade, como a memória viva dos fatos atropelados que acabaram com a queda do Muro de Berlim, o último vestígio da guerra fria, e fizeram daquele dia, 20 anos atrás, uma jornada histórica.
  • AFP

    Multidão de alemães comemora sobre o Muro de Berlim em 1989, quando a barreira entre os lados ocidental (capitalista) e oriental (sob a influência do regime soviético) da Alemanha caiu


Walter Momper, prefeito e governador entre 1989 e 1991, passou aquela noite tentando controlar e calibrar a reação popular ao deslize de Gunther Schabowski, membro do Politburo da RDA que anunciou na televisão algo que muitos desejavam e a maioria via chegar: o final das restrições à movimentação na cidade dividida. O muito carismático Klaus Wowereit, hoje prefeito e então vereador, não acreditou em seu vizinho quando este lhe disse que as pessoas haviam se reunido em torno daquele monumento à intolerância que acabaria no chão. E Eberhard Diegpen, conselheiro de Berlim Ocidental entre 1984 e 1989 e da unificada de 1991 a 2001, comemorava o aniversário de sua filha quando, por volta das 8 da noite, tudo se desencadeou.

"Havia 4 mil pessoas e os guardas não puderam fazer nada além de permitir sua passagem. Reuniam força suficiente para derrubar um edifício", lembrou Momper no saguão do hotel de La Reconquista. "Limitamo-nos a pedir a todo mundo que não fosse de carro para evitar o caos." "Eu passei a noite inteira levando centenas de pessoas para o outro lado em meu Golf", interveio Diegpen. "E os berlinenses-orientais correram para as ruas comerciais como se acreditassem que aquilo não continuaria no dia seguinte." "Meu papel como vereador", esclareceu Wowereit, "foi o de administrar a concessão dos 100 marcos que cada cidadão do leste recebeu nas semanas seguintes".

Os três berlinenses ilustres se esforçaram depois para contradizer a limpeza do relato histórico tal como aparece nos manuais. Aquele final, a queda do muro, foi na realidade o princípio de algo que para eles ainda não terminou. "Berlim, diferentemente de outras capitais europeias, tem graves problemas econômicos e todo dia é obrigada a se reinventar", afirmou Wowereit. "Ainda restam dez anos para a reunificação absoluta, para que a vida transcorra nas mesmas condições e com iguais oportunidades dos dois lados", explicou Momper.

Este último participou à noite de um colóquio com vários correspondentes que cobriram aqueles acontecimentos. Pessoas que passaram o dia trocando anedotas de tempos mais heróicos. Como o posterior estampido de jornalistas, missões diplomáticas e funcionários públicos que deixaram Bonn em busca da nova capital, Berlim, como em uma dessas seqüência em câmera rápida de "One, Two, Three", contribuição disparatada de Billy Wilder ao relato da guerra fria [no Brasil "Cupido Não Tem Bandeira" - sic].

Jornalistas e poetas
Graciano García, diretor da Fundação Príncipe de Astúrias, inspirador de uma das figuras fundamentais desses prêmios, transformou essa entidade em uma das grandes instituições da Espanha e em uma embaixadora única no estrangeiro. Editor e leitor insaciável, não se cansa de dizer que a aventura da entidade e de "sua bandeira" - os prêmios - se deve ao "esforço dos jornalistas e poetas". A contribuição dos primeiros é clara: ainda hoje esse natural de Oviedo, de 70 anos, que imaginou nos alvores da Espanha constitucional os prêmios pela liberdade, se define com orgulho como jornalista de profissão.

A influência dos poetas ele explica muito graficamente, com um discurso entusiasmado que salpica de citações de Verlaine, George Steiner ou Miguel Torga. E com lembranças das 29 edições dos prêmios nas quais trabalhou sempre "a serviço de e com lealdade ao príncipe": "Na primeira edição, o ano do golpe de Estado, um poeta, Pepe Hierro, pronunciou um discurso de aposta no futuro. Foi também o ano do primeiro discurso do príncipe. Um canto à liberdade e à esperança, desses parlamentos sai o espírito dos prêmios".

Há 28 anos daquilo, e, como ditam os estatutos da fundação, esta será a última edição em que Graciano García será seu diretor-geral. Mas não abandonará suas obrigações, que são suas paixões. Simplesmente não poderia. Em uma recente reunião do patronato, o príncipe deixou isso claro. Não deseja que "o caudal de experiência e conhecimento destes anos desapareça". Ali continuará, em um cargo de alta responsabilidade, trabalhando com uma equipe de que fala com veneração. Seu sucessor ainda não foi escolhido.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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