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27/10/2009

Golpe no reduto taleban no Paquistão

El País
Ángeles Espinosa
Enviada especial a Islamabad (Paquistão)
O exército do Paquistão anunciou que tomou a localidade de Kotkai, no Waziristão do Sul, na qual combatia contra os insurgentes taleban desde o último domingo. Além de se tratar de um ponto estratégico na rota para a base militar de Sararogha, Kotkai tem especial valor simbólico por ser o lugar natal do líder dos taleban paquistaneses, Hakimullah Mehsud, e de seu braço-direito, "qari" (recitador do Corão) Husain. A campanha contra esse feudo taleban e a Al Qaeda representa um passo chave para conter a violência extremista neste país nuclear.

"Kotkai era um enclave dos terroristas, com a maioria das casas transformadas em 'bunkers'", declarou o porta-voz do exército, general Athar Abbas, durante uma coletiva de imprensa. Abbas disse que as forças de segurança entraram nessa localidade na sexta-feira à noite e que tinham dedicado o domingo para limpar a zona de explosivos e minas. "Os rebeldes estão abandonando suas armas e cortando a barba para tentar se misturar aos civis e evitar a captura", acrescentou.

Os militares já tomaram Kotkai na última segunda-feira, mas os taleban a recuperaram no dia seguinte, o que dá uma ideia da dificuldade para avançar. "A ofensiva progride bem, mas é lenta porque a região é muito montanhosa e os rebeldes resistem porque têm fortificações nos pontos mais altos", explicou Abbas, que disse que tinham interceptado comunicações indicando várias deserções. Também informou sobre a morte de três soldados e 21 terroristas nas últimas horas, o que, como o restante de seus dados, não pode ser confirmado de forma independente.

Há uma semana cerca de 30 mil homens, entre soldados e forças auxiliares tribais, apoiados por aviões de combate, helicópteros de ataque e tiros de artilharia pesada, tentam desalojar os taleban de seu feudo no Waziristão do Sul. Até agora morreram 25 soldados e 167 terroristas. Trata-se de um dos sete grupos tribais que separam o Paquistão do Afeganistão, nas quais os laços familiares com os taleban afegãos, a ausência de um Estado central e o terreno montanhoso e inóspito permitiram que prosperassem vários tipos de grupos fora da lei, desde traficantes de armas e drogas até a Al Qaeda e afins, muitas vezes apoiando-se uns aos outros.

O jornal "Los Angeles Times" afirmou na sexta-feira que aviões não tripulados norte-americanos, os chamados "drones", estão apoiando o exército do Paquistão em sua ofensiva. A ajuda incluiria imagens tiradas por esses aparelhos exclusivamente para a campanha do Waziristão do Sul, o que permitiria aos paquistaneses preencher as lacunas nos dados que possuem. Caso seja assim, seria a vez em que os EUA mais se envolveram em uma operação militar paquistanesa e a primeira em que Islamabad aceita esse tipo de ajuda.

Tanto o porta-voz militar quanto o ministro da Informação, Qamar Zaman Kaira, negaram isso em sua entrevista à imprensa. "A informação do 'Los Angeles Times' não é correta", afirmou o general Abbas, que insistiu que o Paquistão "não quer nenhum tipo de apoio ou interferência" na atual campanha militar. "O que queremos é replicar o sucesso da operação de Swat com nossos próprios recursos e o apoio de nossa opinião pública", declarou.

O assunto dos teleguiados é um dos mais delicados nas relações entre Paquistão e EUA. Washington recorre a esses aparelhos para realizar operações sem ter de mobilizar forças no território paquistanês. Consciente de que 95% de seus habitantes consideram negativas essas ações (segundo uma pesquisa do Instituto Pew publicada em agosto passado), o governo protesta formalmente contra essas violações de sua soberania, embora tudo pareça indicar que as duas partes chegaram a um acordo sobre isso. O problema é que os ataques dos teleguiados causam muitas baixas civis, entre 242 e 700 desde 2006, quando começaram a ser usados. Delas, só 14 eram "peixes gordos" da Al Qaeda, seu objetivo.

Ontem mesmo um míssil disparado por um desses aparelhos matou 25 pessoas em Bajaur, outro distrito das zonas tribais do noroeste do Paquistão, segundo a rede Express 24/7. O alvo era a casa de um chefe taleban local, Faqir Mohammad, que parece ter abandonado o lugar pouco antes do ataque. Segundo essa televisão, três dos mortos eram estrangeiros, mas outras mídias afirmaram que eram na maioria afegãos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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