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28/10/2009

Bebel Gilberto apresenta seu novo disco em Madri e Barcelona

El País
Carlos Galilea
Em Madri
"A última coisa que eu faria seria mudar de novo para o Brasil", afirma Bebel Gilberto, que se apresenta nesta terça-feira em Madri (Sala Heineken) e na quarta em Barcelona (Razzmatazz). Ela não abdica de sua condição de nova-iorquina. Seu primeiro disco, "Tanto Tempo", passou despercebido no Brasil, mas lhe valeu elogios do então presidente Clinton e a transformou na artista brasileira que mais discos havia vendido nos EUA desde os anos 1960.

Isabel Gilberto de Oliveira (nascida em Nova York em 1966), filha de João Gilberto e da cantora Miúcha, sobrinha de Chico Buarque, inclui em seu novo disco, "All in One" (Verve), uma adaptação para o português de "Sun Is Shining", de Bob Marley. "No final do ano fui à Jamaica de férias. Em um dos hotéis havia um estúdio de gravação e tive a ideia de chamar vários amigos", conta. O resto do disco foi gravado em Nova York e Salvador, na Bahia. Ali se encontrou com Carlinhos Brown, casado com uma de suas primas, e cujo talento criativo ficou oculto atrás de sua arrasadora capacidade festiva. "Eu também fui tratado um pouco injustamente no Brasil. Creio que acontece com todos os que fomos viver fora."
  • Marisa Cauduro/Folha Imagem

    Bebel Gilberto, antes do lançamento de "All in One", em entrevista no Hotel Emiliano, em SP


Bebel Gilberto contou com produtores como Didi Gutman - de Brazilian Girls -, John King - de Dust Brothers - ou Mark Ronson, que trabalhou com Amy Winehouse: "Pude conhecê-lo porque ele sai com uma amiga minha e ela o apresentou a mim em um jantar. Ele me sugeriu 'The Real Thing', de Stevie Wonder". Outra surpresa do disco é "Bim bom", que João Gilberto gravou em 1958. "Daniel [neto de Antonio Carlos Jobim], que conheço desde menino e que tem um apartamento vizinho ao meu em Nova York, estava tocando piano no estúdio que tenho em casa. Havia uma canção que não saía e fomos comer. Ao voltar, ele tinha tomado alguns copos de vinho e começou a cantar 'Bim bom, bim bim bom'... Gravamos em três horas", afirma.

"Pergunto-me como tive coragem de gravar uma canção de meu pai", confessa com um risinho tenso. E faz cara de jogador de pôquer ao ser questionada se o gênio da bossa-nova gostou dela. "Escutou por telefone. Quanto ao que disse, melhor deixar para lá." É difícil ter o sobrenome de um mito da música popular: "Nunca pretendi superar o respeito que o mundo tem por meu pai. Mas saber que nunca serei como ele é um pouco frustrante".

Bebel assina como compositora a metade das canções. "Não tenho método. Às vezes me tranco em casa para compor. Se tenho uma ideia durante uma viagem ou no meio de alguma loucura, ligo para casa e deixo a melodia na secretária-eletrônica", diz.

"Chica chica boom chic" é uma homenagem a Carmem Miranda, a brasileira mais universal. "Não renunciei ao sonho do filme sobre ela. Terei de fazê-lo com Almodóvar, como sempre disse. Sou a única que pode fazer Carmen Miranda no cinema. Se eu morrer não haverá outra."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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