UOL Notícias Internacional
 

29/10/2009

A defasagem entre meios e objetivos afunda os planos da Nasa

El País
Malen Ruiz de Elvira
Em Madri
Enquanto a Nasa terminava os preparativos para fazer o primeiro teste do futuro foguete Ares I, adiado nesta terça-feira devido ao mau tempo na Flórida, o comitê criado pelo presidente Barack Obama para revisar o programa de voos tripulados dos EUA divulgou seu relatório final, nada favorável ao desenvolvimento desse foguete e muito crítico com relação à escassez de fundos que atinge a exploração espacial com seres humanos. Isso era esperado desde agosto passado, quando o comitê presidido por Norman Augustine, executivo veterano do setor aeroespacial, afirmou que com o orçamento previsto os EUA não poderiam voltar à Lua em 2020, como havia decidido o plano de George W. Bush, que nunca foi dotado para cumprir esse objetivo.

Dessa forma, estoura definitivamente na Nasa uma crise disfarçada que vem se manifestando desde que se decidiu aposentar o ônibus espacial em 2010, sem que houvesse um veículo norte-americano para substituí-lo nos voos para a Estação Espacial Internacional (EEI).

O presidente Obama parece não ter pressa para tomar decisões sobre o programa espacial tripulado e, de fato, o novo diretor, Charles Bolden, disse que apresentará o tema para o presidente até o Natal. A inação política pode custar caríssimo ao contribuinte e terminar de semear o caos e a desorientação na Nasa, que não tem outra opção senão seguir adiante com planos que podem ser alterados a qualquer momento. É especialmente urgente decidir se o calendário do ônibus espacial será cumprido, para deixar de voar em 2010, ou se seus voos serão prolongados até 2011 pelo menos, como sugere o relatório do comitê Augustine. Milhares de trabalhadores desse programa já foram demitidos ou o serão em breve, o que poderá inviabilizar a continuidade dos voos.
  • John Raoux/AP

    Nasa lança o foguete Ares I-X com sucesso do Centro Espacial Kennedy, no Cabo Canaveral


O Ares I, cujo protótipo Ares I-X foi lançado nesta quarta-feira depois do adiamento desta terça, será a versão mais leve da nova família de foguetes Ares, que o diretor anterior da Nasa decidiu desenvolver apesar de existir a possibilidade, embora com seus próprios problemas, de se concentrar nos foguetes comerciais já existentes. Sua missão é levar tripulação e carga à órbita terrestre baixa, isto é, à EEI. A versão pesada seria a que levaria o homem novamente à Lua, coisa já quase descartada para esta década.

O Ares I está, portanto, pendente de um fio. "O comitê decidiu que, devido aos problemas técnicos e orçamentários, o calendário do Ares I não se enquadra às necessidades da Estação Espacial", diz o relatório. Especialistas como John Logsdon, da Universidade George Washington, acreditam que não será fabricado porque não tem sentido: "Podem-se gastar bilhões de dólares para construir um foguete que não será muito utilizado", declarou à Space.com.

Mas os técnicos da Nasa veem o lançamento do Ares I-X (que custa US$ 445 milhões, ou cerca de R$ 780 milhões) como um meio de influenciar o presidente Obama para que aceite os planos vigentes. Esse veículo de teste consta de quatro dos cinco segmentos previstos, baseados no foguete de combustível sólido do ônibus espacial. O quinto segmento é simulado, assim como a segunda etapa do foguete e a futura cápsula Orion que iriam em cima.

"Os orçamentos reduzidos e as reservas inadequadas, não só de dinheiro como também de tempo e tecnologia, são a fórmula para um fracasso quase certo nos voos tripulados", diz o relatório, que também indica que a Nasa está à beira do abismo, sobretudo porque não casam os objetivos com os recursos. "Ou se encontram fundos adicionais ou é preciso passar para um programa muito mais modesto, com pouca ou nenhuma atividade de exploração", indica de maneira taxativa.

O problema principal que não foi resolvido por enquanto, mas que se tornou óbvio através do fantasioso programa apresentado pelo presidente anterior, é como fazer a transição de um programa espacial para outro completamente diferente. "O comitê acredita que o programa do ônibus espacial se estenderá inevitavelmente até o ano fiscal de 2011 e que existem razões poderosas para estender a participação dos EUA na EEI por cinco anos além do previsto, isto é, até 2020." Isto representa respectivamente US$ 1,1 bilhão e US$ 13,7 bilhões (R$ 1,9 bilhões e R$ 24 bilhões) no orçamento da Nasa.

Algumas das conclusões do comitê são de senso comum, mas se chocam com a aprovação anual de orçamentos que sofre a Nasa e que determinou o grave dilema que enfrenta: "Os sucessos significativos no espaço exigem um apoio constante durante muitos anos".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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