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31/10/2009

O futuro da Europa: socialistas europeus descartam Blair na UE

El País
Andreu Missé
Em Bruxelas
O britânico Brown fica isolado na defesa da candidatura de seu antecessor. Os dirigentes da UE cedem à exigência do checo Klaus para assinar o tratado.

No labirinto de especulações ilimitadas sobre os nomes dos futuros mandatários da UE, a única idéia que vai se consolidando é a crescente oposição a Tony Blair para ocupar a presidência da união. Poucas horas antes da realização do Conselho Europeu, os dirigentes socialistas tiveram um encontro no qual mostraram seu desejo de que o futuro alto representante da UE "procedesse da família socialista".

Isso implica a exclusão do trabalhista Blair para a presidência. Na reunião que na mesma hora tiveram os líderes pertencentes ao Partido Popular Europeu (PPE), embora não se tenha falado abertamente em nomes, também se deu por certo que o futuro chefe da diplomacia europeia seria um socialista, segundo fontes próximas ao PPE.

O que os chefes de Estado ou de governo dos 27 acordaram na quinta-feira foi ceder às exigências feitas pelo presidente checo, Vaclav Klaus, como condição para assinar o Tratado de Lisboa. "Entramos em acordo no que os checos tinham pedido", disse o presidente do conselho, o primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt.

O acordo representa a revogação para a República Checa da Carta dos Direitos Fundamentais da UE, assim como conseguiram em sua época o Reino Unido e a Polônia. O propósito de Klaus é impedir que os cidadãos alemães que foram expulsos violentamente do território dos Sudetos depois da Segunda Guerra Mundial possam reclamar suas propriedades. A ratificação desse protocolo será realizada em uma conferência internacional depois da entrada em vigor do tratado.

Reinfeldt salientou que foi superado o "obstáculo político", que era o mais difícil, e que só restava pendente a decisão do Tribunal Constitucional checo, em 3 de novembro, sobre um recurso apresentado por um grupo de senadores. O sueco afirmou que o tratado entraria em vigor antes do fim do ano. Fontes comunitárias esperam que Klaus assine o texto antes de 9 de novembro e que se realize um conselho extraordinário entre 9 e 15 para designar o presidente da UE e o alto representante.

A rejeição a Blair para presidir a UE foi explícita em alguns casos. Tanto o chanceler austríaco, o social-democrata Werner Faymann, como o ministro das Relações Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn, salientaram que Blair esteve ligado demais a George Bush e à guerra do Iraque, enquanto o atual inquilino da Casa Branca, Barack Obama, havia tomado outra orientação. Faymann disse claramente que "para a presidência da união seria preciso algum outro".

O presidente do governo (primeiro-ministro) espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, qualificou de "razoável" o acordo dos socialistas europeus, que mostraram "sua preferência de que o alto representante pertença a seu grupo". Zapatero indicou que embora não se tenha descartado ninguém "houve uma grande determinação do Partido Socialista de aspirar aos postos de alto representante e vice-presidente da comissão".

Mas a frente socialista sofre uma séria fissura pelo empenho do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, em defender seu antecessor para a presidência da UE. Brown explicou que Blair ainda não é um candidato oficial, "mas gostaríamos que fosse" e "nesse caso o apoiaríamos".

Mas o apoio decidido a Blair por parte do Reino Unido poderia ter segundas intenções. Se a candidatura do ex-primeiro-ministro não prosperar, Londres teria mais força para exigir em troca o cargo de alto representante para seu ministro das Relações Exteriores, David Miliband.

O secretário do Foreign Office goza de muitas simpatias entre os socialistas europeus. "Miliband é um candidato apropriado para o cargo", disse na quinta-feira Martin Schulz, chefe do grupo no Parlamento Europeu.

Para Zapatero, o futuro presidente da união deve ser sobretudo "um europeísta", partidário de continuar "fortalecendo as atuações comuns da união". Os socialistas europeus escolheram uma "troika" formada pelo próprio Zapatero, Faymann e o presidente do Partido dos Socialistas Europeus, Poul Nyrup Rasmussen, para negociar com o PPE os nomes dos futuros dirigentes. Em sua reunião, os conservadores apoiaram a reeleição de Wilfried Martens e Antonio López Istúriz como presidente e secretário-geral do PPE.

Independentemente do debate entre os partidários e adversários de Blair, há várias duplas que são cogitadas para presidente e alto representante. O ex-chanceler austríaco Wolfgang Schussel, com Miliband. Ou o primeiro-ministro holandês, Jan Peter Balkenende, também com Miliband. Caso se mantenha em pé a candidatura de Blair, poderia figurar como aspirante a alto representante o comissário de Ampliação, Olli Rehn.

Mas as especulações continuam. Aos nomes que mais circularam - como o do primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean Claude Juncker, o ex-premiê espanhol Felipe González, os ex-primeiros-ministros Paavo Lipponen (Finlândia) e Bertie Ahern (Irlanda) - se uniram os de Fredrik Reinfeldt, primeiro-ministro da Suécia e presidente de turno da UE, e o do ex-primeiro-ministro irlandês John Bruton.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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