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05/11/2009

As eleições nos EUA incitam os republicanos

El País
Antonio Caño
Em Washington
Com todas as precauções necessárias relativas a resultados muito influenciados por assuntos locais, as eleições desta terça-feira nos EUA representam um pequeno impulso para o Partido Republicano e uma certa chamada de atenção para os democratas e Barack Obama. Muito mais duvidoso é que se possa interpretar essa convocação parcial às urnas como um referendo geral sobre a popularidade do presidente.

Os republicanos recuperaram os cargos de governador da Virgínia e de Nova Jersey. No primeiro caso, Bob McDonnell, um conservador, ganhou folgadamente em um território que continua com maioria de direita. Em Nova Jersey, por sua vez, o moderado Chris Christie destronou o atual governador em um Estado de longa tradição democrata.
  • Susan Walsh/AP

    Barack Obama participa da campanha de Jon Corzine para o governo de Nova Jersey


A dupla vitória em dois lugares em que Obama havia ganhado no ano passado foi considerada pela liderança da oposição como o ponto de apoio para o relançamento do partido diante das legislativas do próximo ano e das presidenciais de 2012. "Isto permitirá revigorar nossos voluntários, nossas organizações e nossos doadores", manifestou ontem o presidente da Associação de Governadores Republicanos, Haley Barbour.

A grande noite republicana teve porém uma certa transcendência. A oposição perdeu um lugar na Câmara dos Deputados por um distrito de Nova York que havia ganhado desde a Guerra Civil. E isso foi possível unicamente porque os conservadores extremistas impuseram um candidato de sua linha e obrigaram a renunciar a eleita pelos responsáveis locais, mais moderada, o que provocou uma divisão interna que acabou beneficiando os democratas.

Cada uma dessas eleições tem sua importância e terá suas consequências. Mas a grande incógnita da noite era saber o que indicavam esses resultados em relação à política nacional, e nesse sentido sua interpretação é mais complexa. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que o presidente nem sequer havia acompanhado de perto a apuração dos resultados.

Por um lado, essas eleições voltam a demonstrar o sentido de equilíbrio que orienta os eleitores norte-americanos. Há 20 anos essas eleições na Virgínia e em Nova Jersey são vencidas pelo partido que não está na Casa Branca, seja qual for.

Por outro lado, há diversos fatores a se levar em conta em ambos os Estados, muito mais determinantes do que a popularidade de Obama ou a política de seu governo. No caso de Nova Jersey, um fundamental é o desprestígio do governador democrata, Jon Corzine, que é criticado por uma péssima gestão da crise econômica e que estava atrás nas pesquisas por mais de 10 pontos antes que Obama participasse pela primeira vez da campanha. Acabou perdendo por 5 pontos.

Na Virgínia, o fracasso do candidato democrata, Creigh Deeds, já era previsto desde os primeiros dias de uma campanha eleitoral que foi considerada um monumento ao disparate. Marginalizando a população negra - muitos de seus principais representantes nem sequer lhe deram seu apoio - e urbana, Deeds destruiu a coalizão que há um ano havia posto a Virgínia do lado democrata pela primeira vez desde 1965. Quando Obama veio em socorro - um único ato eleitoral - Deeds já tinha uma desvantagem de 20 pontos.

Tanto na Virgínia como em Nova Jersey, as pesquisas refletem uma popularidade do presidente próxima de 60%, em torno ou acima da média nacional, embora muitos dos que votaram nele em 2008 não tenham se sentido agora chamados pelo mesmo movimento. Em Nova Jersey, 57% da população aprovam a gestão de Obama, mas 20% votaram em Christie.

Ao mesmo tempo, estas eleições trazem alguns dados que podem ser motivo de inquietação para os democratas e de preocupação para a Casa Branca. Entre os primeiros, o fato de que a popularidade de Obama não repercute automaticamente a favor de qualquer candidato do partido do governo. Esse é um problema que pode ser sério quando a sorte de muitos projetos da Casa Branca está nas mãos de congressistas que devem se submeter a eleições dentro de um ano.

Alguns congressistas democratas podem entender, por mais errado que fosse o cálculo, que este é o momento em que cada um se salve por conta própria e que o apoio à reforma da saúde e outros projetos de Obama não só não é garantia de êxito como pode ser um obstáculo à reeleição.

Para o presidente, o indicador mais alarmante da noite desta terça-feira é, sem dúvida, o comportamento dos eleitores que se definem como independentes: 60% dos que respondem a essa denominação se inclinaram pelo candidato republicano em Nova Jersey, o que confirma uma tendência que é detectada há tempo no conjunto do país.

Os independentes não só tiveram um papel fundamental para eleger Obama, como foram um fator muito importante durante a campanha eleitoral para demonstrar o espírito bipartidário que inspirou a candidatura do atual presidente. Sem o apoio dos independentes, decepcionados porque consideram que a Casa Branca está atendendo demais aos interesses da tradicional clientela democrata, Obama se transforma em um político tradicional e sua força renovadora perde gás.

Em todo caso, os efeitos detectados nesta jornada eleitoral parecem ainda frágeis e provavelmente simples de reverter. Existe um fator psicológico que sem dúvida é preciso levar em conta e que ajudará os republicanos a superar a depressão em que estavam mergulhados. Mas ainda restam muitas batalhas para travar até o próximo duelo nas urnas.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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