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06/11/2009

"Poderíamos ter acabado como a Tchetchênia", diz o primeiro presidente da Lituânia independente

El País
A. Rizzi Em Vilna (Lituânia)
Quatro meses depois da queda do muro de Berlim, em 11 de março de 1990, Vytautas Landsbergis declarou a independência da Lituânia. Tratava-se da primeira república soviética a abandonar a União. Landsbergis (Kaunas, 1932), líder carismático do movimento independentista, foi nomeado chefe de Estado, posto que ocupou até 1992, guiando o país nos momentos talvez mais tensos da queda da URSS.
  • AP

    Populares derrubam uma estátua de Lênin de
    seu pedestal em Vilna, na Lituânia, após o país tornar-se independente da União Soviética



Em janeiro de 1991, as tropas soviéticas saíram às ruas de Vilna para acabar com a revolução lituana. Prédios estratégicos foram ocupados, uma dúzia de civis assassinados, e pelo menos 600 feridos. Mas o golpe fracassou. "Poderíamos ter acabado como a Tchetchênia...", diz Landsbergis, de seu gabinete em Vilna. A resistência dos lituanos, as pressões internacionais e divisões em Moscou evitaram o pior.

"Éramos ativistas comprometidos com a liberdade e com a Lituânia", recorda Landsbergis, que agora é eurodeputado. "Nós nos unimos à onda reformista geral impulsionada por Gorbachev. Trabalhávamos no âmbito das instituições, tentávamos mudar a partir de dentro. Utilizávamos o dicionário de Gorbachev... transparência, abertura... Naturalmente tínhamos também algum objetivo, digamos assim, especial", diz, às gargalhadas. O objetivo era a independência.
  • Arte UOL

    O muro de 155 km de extensão dividia Berlim em duas partes



"Começávamos a trabalhar com discrição para ele. Tentei fazer com que Gorbachev se sentisse diante da alternativa de ou ser uma continuação de Stálin, recusando a independência, ou um herói da liberdade. Creio que ele queria a segunda, mas não conseguiu. Não tinha um poder sólido, como parecia ter por fora. Alguns o haviam nomeado, outros retinham cotas determinantes de poder", relata Landsbergis.

"Então começamos a olhar para o Ocidente. Mas as democracias ocidentais não queriam que os acontecimentos se acelerassem, que colocassem obstáculos às reformas de Gorbachev". Mas o terremoto provocado pela queda do muro de Berlim rompeu todos os esquemas, e Landsbergis e seu grupo entraram no buraco, detonando a implosão da URSS e evitando represálias para a Tchetchênia.

Tradução: Lana Lim

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