UOL Notícias Internacional
 

07/11/2009

A última guerra árabe: Arábia Saudita bombardeia rebeldes xiitas do Iêmen

El País
Ángeles Espinosa
Em Teerã
Segundo Riad, a aviação saudita só operou dentro de seu território, mas os rebeldes denunciam que também foram bombardeados no Iêmen e que capturaram soldados sauditas em seu território. O governo do Iêmen não permite o acesso à região dos combates, de onde se diz que 150 mil civis tiveram de fugir.

A Arábia Saudita anunciou na sexta-feira (6) que vai continuar bombardeando as posições dos rebeldes iemenitas até que os expulse de seu território, mas salientou que sua aviação só atua dentro de suas fronteiras. Segundo fontes sauditas, 40 guerrilheiros morreram e outros 40 se renderam desde que começaram os ataques na quinta-feira.

No entanto, os rebeldes afirmaram na noite de sexta-feira que haviam capturado vários soldados sauditas dentro do território iemenita e que pretendiam mostrar um vídeo para prová-lo. "Daremos entrevistas [para os meios de comunicação], mas os trataremos com respeito", declarou um porta-voz rebelde identificado como Mohamed Abdel-Salam à rede de televisão árabe Al Jazira.

A conversa, que foi divulgada pela agência Reuters, ocorreu via telefone, já que o governo do Iêmen não permite o acesso à região dos combates, o que torna impossível verificar de forma independente o que ocorre. Caso seja verdade, significaria que a Arábia Saudita lançou uma operação terrestre. Na quinta-feira, fontes diplomáticas árabes em Saná vazaram para a imprensa que a aviação saudita estava bombardeando os rebeldes em território iemenita. Nenhum dos dois governos o admitiu.

O governo de Riad justifica sua intervenção pelo ataque transfronteiriço que na quarta-feira matou dois de seus soldados. "Isso dá direito ao reino saudita de tomar todas as medidas necessárias para acabar com essa presença ilegal", explica um comunicado divulgado pela agência oficial de notícias saudita, SPA. O texto afirma que a perseguição aos infiltrados, que não são identificados, se realiza "dentro das fronteiras sauditas". Há três meses o governo do Iêmen realiza uma ofensiva contra os huthi, um grupo de rebeldes xiitas que questiona sua autoridade na província de Saada.

A Operação Terra Queimada desalojou 150 mil pessoas, segundo fontes humanitárias. As autoridades sauditas estão preocupadas com as consequências desse conflito que se arrasta há cinco anos. Com 1.500 km de fronteira comum, temem que o frágil governo iemenita seja incapaz de controlar a situação e que a Al Qaeda aproveite para se infiltrar em seu território.

O Iêmen, país de origem de Osama bin Laden, continua sendo um refúgio para os militantes desse grupo devido tanto a seu terreno abrupto e escarpado como à ausência do Estado. Mas o eventual envolvimento de Riad desperta entre os observadores o fantasma de uma nova guerra por inimigo interposto entre Irã e Arábia Saudita, como já aconteceu no Líbano e no Iraque.

O governo iemenita acusa o Irã xiita de apoiar os rebeldes, e na semana passada disse ter interceptado um barco com armas. Os rebeldes, por sua vez, denunciam que a Arábia Saudita, sunita, o principal rival regional do Irã, os bombardeia em conivência com o governo de Saná. Os huthi são, como a maioria das tribos que povoam as montanhas do norte do Iêmen, xiitas zaiditas - que veneram como o quinto imã Zayd bin Ali, em vez de Mohamed al Baqer.

Mesmo assim, seu confronto com o governo central não pode ser reduzido a uma mera guerra de religião. Embora dois terços dos 23 milhões de iemenitas sejam sunitas e a influência saudita os aproxime dos rigores salafistas, historicamente conviveram sem problemas e durante dez séculos, até a revolução de 1962, o Iêmen foi um imanato zaidita.

O próprio chefe de Estado, Ali Abdallah Saleh, pertence a essa minoria, o que sem dúvida influiu no fato de escolher uma linha laica para seu governo. De fato, depois de chegar ao poder em 1978 na então República Árabe do Iêmen - Iêmen do Norte -, utilizou o ressurgimento zaidita para tentar conter o avanço dos salafistas.

Mas os grupos animados pelas pregações do religioso Badr al Din al Huthi - origem ideológica do atual movimento reivindicativo - terminaram se transformando em um problema. Embora Husein al Huthi, um filho de Badr, tenha chegado ao Parlamento em 1993, os huthis continuaram se queixando de discriminação econômica. No entanto, esse sentimento não derivou em um conflito aberto até cinco anos atrás, quando as forças de segurança mataram Husein, desatando um círculo vicioso de ataques e contra-ataques que voltou a ser retomado neste verão.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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