UOL Notícias Internacional
 

07/11/2009

Merkel: "O muro é história, a reunificação já é uma realidade"

El País
Juan Gómez
Em Berlim (Alemanha)
Angela Merkel teve várias semanas de extrema agitação. A chefe de Estado alemã triunfou nesta terça-feira com um discurso diante do Congresso norte-americano. Houve longas ovações para a primeira chanceler do Leste na Alemanha unificada. O lado ruim da história aconteceu em seu regresso ao país, quando ela recebeu a notícia da anulação da venda da Opel por parte da General Motors.
  • Arte UOL

    O muro de 155 km de extensão dividia Berlim em duas partes



Não obstante, apesar das intermináveis jornadas de trabalho e do acúmulo de problemas, Merkel quis receber na chancelaria um grupo de jornalistas internacionais. A chanceler entrou na "pequena sala" do Congresso de ministros. Cumprimentou os repórteres um a um e se sentou à grande mesa em cujo centro um relógio marcava as 12 horas em ponto. Ao fundo da sala, o quadro de H.P. Zimmer "9 de novembro de 1989" dá uma impressão alegre do fato de que Merkel queria falar: a queda do Muro de Berlim, cujo vigésimo aniversário se comemora na próxima segunda-feira.

Aos 55 anos, Angela Merkel, criada na República Democrática Alemã (RDA), acredita a esta altura que "o muro já começa a fazer parte da história, não mais como uma lembrança viva na mente dos alemães; a reunificação é uma realidade [depois de anos de esforço e um enorme custo econômico]". "Nos movemos no fio entre presente e passado; muita gente pode contar de primeira mão o que aconteceu [há 20 anos], mas o mais importante foi obtido", explica a chanceler.

Talvez por isso Merkel tenha deixado sua habitual hesitação para falar de sua infância e juventude no Leste e do acontecimento que a levou do Instituto Central de Físico-Química na RDA a protagonizar uma carreira política cuja última etapa, por enquanto, foi sua reeleição em 27 de setembro passado para chefiar o governo alemão. A oitava chanceler da Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial lembra que "morava na Schönhauser Allee. Era preciso madrugar muito, algo absurdo porque às 7h15 um cientista não pode trabalhar bem. Quando um dia voltei do trabalho para casa, liguei a televisão e lá estava Schabowski". Aquela entrevista coletiva do dirigente comunista Günter Schabowski foi o estopim da abertura da fronteira entre as duas Alemanhas e da queda da Cortina de Ferro. Como muitos, Merkel admite: "Não entendi exatamente o que Schabowski queria dizer, mas telefonei para minha mãe imediatamente para lhe dizer que me parecia que iam abrir o muro".

Uma ditadura de 35 anos marca. Merkel o admite. Seu estilo de liderança, totalmente oposto ao dos vociferantes dirigentes de alguns países europeus, encontrou uma raiz naquele passado. Ela reconhece: "Meu estilo político se baseia em primeiro lugar em meu caráter. Em minha formação como física, em minha região de nascimento... Além disso, influi o fato de eu ser mulher. Pode-se dizer que ter vivido na RDA é minha quarta influência".

Pedaços do muro de Berlim pelo mundo



Nesta quinta-feira Merkel estava visivelmente cansada por sua recente viagem transatlântica, pelo provável "jet lag" e pelas semanas de negociações para formar a coalizão entre seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), e os liberais (FDP). Ela tirou do governo os social-democratas de maneira decidida. No ponto máximo de sua carreira, depois de negociações das quais sai fortalecida politicamente, Merkel explica: "Desde que o muro caiu me surpreendeu que as pessoas no Ocidente falassem tão claro e tão alto. Quando se lia o jornal na ditadura era preciso saber ler nas entrelinhas. Uma leve inflexão, uma troca de palavras já era reveladora. Em minha carreira política tornei-me mais explícita, porque senão as pessoas não percebem o que quero. Nas democracias abertas é preciso argumentar com muito mais dureza". "A RDA", prosseguiu, "não era um Estado de direito. Não tinha eleições livres, liberdade de imprensa nem de consciência. Os momentos essenciais de um Estado de direito não existiam."

Sobre os restos daquela divisão de quatro décadas, advertiu que "é preciso levar em conta que, desde a chegada dos nazistas ao poder em 1933, o leste da Alemanha viveu primeiro a ditadura nazista e depois a ditadura comunista". A essa falta de costume democrático, somam-se as dificuldades sociais. "Por exemplo, 12% eram agricultores. De um dia para o outro, com a entrada na União Europeia, a porcentagem caiu para 1 ou 2%. Há regiões com 20% de desemprego, onde as pessoas ainda se perguntam o que aconteceu."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    11h49

    0,32
    3,154
    Outras moedas
  • Bovespa

    11h51

    0,93
    65.613,23
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host