UOL Notícias Internacional
 

11/11/2009

Ajuda humanitária internacional chega tarde e mal à população afetada por guerras e catástrofes naturais

El País
Fernando Peinado Em Madri
  • Ishara S. Kodikara/AFP - 18.mai.2009

    Cingaleses celebram na capital do Sri Lanka a derrota dos Tigres Tâmeis, o grupo separatista
    que desde 1983 trava uma guerra civil no país
    para tentar conquistar um Estado independente

Entre 7.000 e 20 mil civis morreram durante os cinco primeiros meses de 2009 no leste da ilha de Sri Lanka em consequência da ofensiva do exército contra os rebeldes tâmeis. Os planos militares e o potencial desastre humanitário eram bem conhecidos. No entanto, a maioria dos países ricos não se preocupou em garantir a tempo a presença de funcionários de ajuda na região. O conflito do Sri Lanka é só mais um exemplo de que em geral a ajuda humanitária chega atrasada e de forma improvisada à população necessitada, segundo se deduz do Índice de Resposta Humanitária 2009, publicado na terça-feira pela Fundação Dara, que avalia anualmente o comportamento dos países doadores.

O dinheiro destinado à ajuda de emergência em conflitos armados e catástrofes naturais continua sendo orientado por interesses estratégicos. Por isso não é estranho que na classificação que a Dara elabora sobre qualidade e quantidade da ajuda as principais potências militares apareçam em lugares atrasados: o Reino Unido ocupa o 9º lugar de 23, os EUA o 14º, a Alemanha o 16º e a França o 20º. Os países escandinavos e a Irlanda ocupam as quatro primeiras posições, enquanto a Espanha subiu um degrau em relação ao ano anterior, para o 15º lugar. Os três últimos são ocupados por países mediterrâneos: em ordem descendente, Itália, Grécia e Portugal.

O ranking foi elaborado a partir de 2.000 pesquisas com membros de ONGs receptoras de fundos estatais e presentes em 13 áreas de conflito. Nenhum país supera uma pontuação de 8 sobre 10 - a Noruega tem 7,49 -, e a nota média se situa pouco acima de 6, "o que demonstra que os países doadores ainda têm muito para melhorar", segundo os autores do estudo.

O futuro da ajuda, porém, está cheio de incertezas. A principal ameaça que a Dara detecta são os crescentes problemas que as ONGs enfrentam para fazer a ajuda chegar à população afetada em regiões de conflito. Os exemplos do último ano são numerosos. Em algumas ocasiões são os governos que impedem o acesso dos trabalhadores humanitários, como fez Israel durante sua ofensiva em Gaza ou o Sri Lanka contra a guerrilha tâmil. No Sudão as ONGs internacionais foram expulsas em março pelo presidente Omar el Bashir depois que este foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional. Segundo a Dara, a denúncia dessas limitações é insuficiente.

Mas em todo caso se observa a crescente insegurança a que se expõem os participantes. Em 2008 se atingiu a cifra recorde de 260 assassinados, sequestrados ou feridos gravemente. Na Somália, país mergulhado na anarquia depois de 18 anos de guerra, não há um só trabalhador humanitário estrangeiro; 90% das ONGs operam do exterior e a ajuda é administrada por pessoal local, com escassa prestação de contas.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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