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12/11/2009

"Há ONGs para tudo, exceto para melhorar a política", diz escritora Nélida Piñón

El País
Juan Jesús Aznárez
A paixão pelo conhecimento de Nélida Piñón não se esgota na leitura do Antigo e Novo Testamentos, do Alcorão, dos clássicos, e de tudo o que foi publicado sobre a vida e a condição humana. A escritora brasileira de origem galega (da Galícia, norte da Espanha), amante incondicional do polvo e do bacalhau desde que tem dentes, vibra com Kant e a Grécia de Ésquilo, mas também com os pratos de frutos do mar tão abundantes na Espanha.

  • Alonso Gonzalez/Reuters - 19.out.2005

    A escrita Nélida Piñon é imortal da Academia Brasileira de Letras e da Academia de Filosofia



"Desfruto comendo", diz a autora de "Corazón Andariego" (Editora Alfaguara), uma obra que combina a memória e a criação literária na feliz evocação da saga familiar. "Olhe, esse é do PP, não?" Efetivamente, o secretário de Comunicação do Grupo Popular, Esteban González Pons, senta-se perto, em um refeitório cheio de políticos. A sábia nascida no Rio de Janeiro não lhes tem simpatia: "Há ONGs para tudo, menos para melhorar a política e os políticos".

Membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia de Filosofia, gostaria de viver nos séculos seguintes ao cristianismo, quando ainda sobreviviam os restos pagãos. Nélida Piñón é fecunda e tem uma imaginação regulada pelo conhecimento que lhe ordena viajar, sair de casa, percorrer o mundo e, de passagem, comprar três jornais em cada capital. "Oscilo entre o que a realidade me obriga e o que a imaginação me sugere."

A exaltação gastronômica lhe sugere interessar-se pelos croquetes caseiros e as lentilhas, e a curiosidade pela disputa interna no PP. "Quem você crê que vai ganhar entre Rajoy, Gallardón e Aguirre? Sou muito curiosa." "O galego é muito esperto", digo-lhe. Nélida Piñón quer saber tanto sobre tudo, que quando era menina sentava-se perto dos idosos para escutá-los. Nunca se dava por satisfeita. "Quando acabavam, eu lhes dizia: conte-me mais."

Apaixonada pela Espanha, brasileira até o tutano, devota do avô Daniel e de seus adorados pais, a romancista de "A República dos Sonhos" (1999) é uma mulher alegre, tremendamente organizada e inclinada a se emocionar com a miséria africana e os maus-tratos aos animais. "Nunca comprei uma roupa confeccionada com pele."

E o Rio de Janeiro sede olímpica? Como se sentirá a delegação holandesa, japonesa ou alemã, em uma cidade tão quente e desaforada? A autora prevê sem sombra de dúvida: "Se sentirão em estado de graça. O carioca tem vocação universal. Carioca não é quem nasce, é quem vive aqui. Se você ficar, já será. O Rio é uma cidade maravilhosa."

É o que bem sabe esta mulher com uma casa na Lagoa, ao pé do Cristo, não longe de Ipanema, onde seus amigos degustarão no próximo Natal um bacalhau com passas preparado pela anfitriã, e algumas das esquisitices e caprichos comprados na Espanha. "Estas sardinhas me custaram 0,90 euros em uma loja de bairro." Nélida Piñón tira a lata de um bolso que contém uma caderneta companheira de viagem, o caderno de dados e impressões presentes em uma obra extensa e profunda, merecedora de vários prêmios, entre eles o Príncipe de Astúrias de 2005.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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