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12/11/2009

Milhões de brasileiros ficam às escuras

El País
Francho Barón
No Rio de Janeiro
O Brasil, gigante sul-americano de 192 milhões de habitantes, ficou às escuras na noite desta terça-feira. Um apagão de quase quatro horas, o maior registrado na última década, afetou total ou parcialmente 18 dos 26 estados brasileiros, provocando cenas de caos nas principais capitais do país e evocando situações que já pareciam parte do passado, como as vividas durante a crise energética dos últimos anos do governo do social-democrata Fernando Henrique Cardoso.
  • Ricardo Nogueira/Folha Imagem

    Apagão em vários Estados do país deixou cidades no escuro, como Santos, no litoral paulista


Desde então, o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, investiu não poucos recursos em infraestrutura para que os cortes energéticos não voltassem a acontecer, mas tudo indica que esses esforços não foram suficientes para evitar que o maior país da América do Sul ficasse às escuras. O incidente plana como uma sombra sobre a Copa do Mundo de Futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, que se realizarão em solo brasileiro.

O apagão ocorreu às 22h14 de terça-feira. Nesse momento o presidente Lula despachava em Brasília com seu ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, sobre o polêmico assunto da distribuição dos lucros das novas jazidas petrolíferas. O corte do abastecimento elétrico se estendeu como um raio ao longo e ao largo da geografia brasileira. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o corte energético foi total em São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Nos Estados de Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Sergipe, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte a interrupção do fornecimento elétrico foi apenas parcial. Grande parte do território paraguaio também ficou sem luz, apesar de o apagão ter menor intensidade que no Brasil. No país vizinho durou apenas entre 20 e 30 minutos.

Pouco depois de confirmar a gravidade da situação, Lobão compareceu diante da mídia para apontar o mau tempo e a central hidrelétrica de Itaipu - a segunda maior do mundo depois das Três Gargantas, na China -, construída e explorada conjuntamente por Brasil e Paraguai, como a origem do corte elétrico. "Supõe-se que uma tempestade de grande intensidade pode ter contribuído para desconectar as linhas de Itaipu e, em consequência, outras linhas poderiam ter deixado de funcionar", disse o titular das Minas e Energia em um primeiro momento.

As autoridades da hidrelétrica, por sua vez, apressaram-se a negar qualquer responsabilidade: "A causa do apagão não teve origem em Itaipu. A hipótese mais provável é que tenha ocorrido um acidente que afetou um ou mais pontos do sistema de transmissão, inclusive o de Furnas, responsável por levar a energia de Itaipu para o sul e sudeste do Brasil. Esse acidente provocou um efeito dominó". A hidrelétrica foi ainda mais clara quando afirmou: "Em 15 minutos Itaipu restabeleceu o sistema paraguaio, o que reforça o fato de que a causa do problema foi externa à usina".

Ontem pela manhã o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Marcio Zimmermann, admitiu que o apagão teve origem na desconexão de três linhas de transmissão de energia entre os Estados de Paraná e São Paulo. Segundo Zimmermann, o acidente foi inevitável, já que nenhum país do mundo está preparado para enfrentar uma situação de contingência tripla.

Estados atingidos pelo apagão


"Nosso sistema está preparado para uma contingência dupla, e tecnicamente os sistemas mais confiáveis do mundo são de contingência dupla", afirmou o número 2 de Lobão. Segundo o governo de Brasília, é economicamente inviável prevenir que três linhas de transmissão possam se desconectar ao mesmo tempo.

As informações divulgadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também desmentiram a tese do governo de que "condições climáticas adversas" poderiam ter provocado o corte de energia. Segundo os especialistas, não se registraram fenômenos meteorológicos anômalos durante a noite desta terça-feira na região oeste do Estado do Paraná. Os ventos eram fracos, não chovia e também não ocorreram descargas elétricas.

O apagão, que não registrou consequências demasiado graves, põe o governo Lula em uma situação embaraçosa. Em 25 de setembro passado, a ministra da Casa Civil e candidata de Lula para a Presidência em 2010, Dilma Rousseff, declarou diante de um grupo de correspondentes que o Brasil tinha superado a etapa dos apagões que marcou o fim do segundo mandato do ex-presidente Cardoso. Ironicamente, a declaração triunfalista se transformou ontem em um açoite para a própria Rousseff, à qual muitos atribuem a modernização dos sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica durante seus anos como ministra de Minas e Energia (2003-2005).

A oposição não demorou ontem para capitalizar o assunto. O que previsivelmente enfrentará no ano que vem Dilma Rousseff como candidata à Presidência, o atual governador de São Paulo, José Serra, qualificou o incidente de "muito grave" e disse que "nunca antes a usina de Itaipu havia deixado de funcionar completamente. Isso denota uma falta de investimento e qualidade dos serviços". No Congresso em Brasília os partidos de oposição já preparam uma nova salva contra o governo nas diferentes comissões de controle.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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