UOL Notícias Internacional
 

12/11/2009

Sem água e sem luz, mas com planos de guerra

El País
Maye Primera
Em San Antonio del Táchira
A caricatura do dia nas páginas de opinião do jornal "Los Andes", que circula no Estado venezuelano de Táchira, fronteiriço com a Colômbia, mostra um casal recém-casado em uma luxuosa festa de casamento. O noivo pergunta: "Meu amor, qual foi o melhor presente que ganhamos?", e a noiva responde: "Dois 'totumas' com nossas iniciais gravadas!" A totuma é uma vasilha feita com a fruta de uma árvore que era utilizada pelos venezuelanos para tomar banho no início do século passado, nos lugares onde não havia aquedutos nem água corrente. Hoje é novamente um artigo de primeira necessidade que o governo recomendou utilizar, junto com as duchas-relâmpago de três minutos, para colaborar com o plano de racionamento de água que começou na Venezuela em 2 de novembro passado e que coincide com um plano de economia de energia elétrica.
  • AFP

    O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante seu programa semanal de televisão "Alô Presidente", em Portuguesa, a oeste de Caracas na Venezuela


"Por que em vez de batalhões não nos mandam garrafões de água para a fronteira? Tanques de água é o que precisamos, e não tanques de guerra", queixa-se José Rozo, presidente da entidade patronal Fedecámaras no Estado de Táchira, que agrupa cerca de 450 empresários. A guerra que ninguém parece estar disposto a lutar importa pouco aos venezuelanos quando a água potável não corre pelos canos e quando diariamente, em todo o país, ocorrem falhas de eletricidade imprevistas.

Tensão na fronteira da Venezuela com Colômbia

A guerra começou há cinco anos na cidade de San Antonio del Táchira, o ponto de passagem mais movimentado na fronteira entre Venezuela e Colômbia. Começou com os cinco primeiros mortos que caíram vítimas de tiros na Praça Bolívar; com um bando de assassinos dispostos a limpar o povoado dos bandidos comuns; e com uma comunidade de comerciantes desesperados, dispostos a pagar a "vacina" (cota mensal de dinheiro) pela segurança que não lhes forneciam nem a polícia nem a Guarda Nacional venezuelanas



Em Caracas o racionamento de água é administrado por zonas e de acordo com um calendário: cada bairro da cidade fica sem água pelo menos dois dias por semana. Algumas escolas e hospitais suspendem sua atividade no dia que lhes cabe. A eletricidade é uma loteria. Cada vez é mais frequente que o serviço seja suspenso por até quatro horas durante a noite. Por isso Chávez recomendou que os que costumam ir ao banheiro de madrugada se iluminem com uma lanterna.

A oposição ao governo contabilizou 117 apagões em todo o país desde o início do ano, que, segundo seus cálculos, geraram uma queda de 10% na produção industrial. As falhas nos serviços e em geral no funcionamento da administração pública começam a prejudicar a popularidade do presidente Hugo Chávez, que até fevereiro passado havia se mantido próxima de 50%.

Segundo um estudo realizado pela consultoria venezuelana Datanálisis, entre 23 de setembro e 8 de outubro deste ano, 66% dos venezuelanos afirmavam estar totalmente insatisfeitos com a gestão do comandante Chávez para resolver a crise de eletricidade; 70% criticavam suas políticas para gerar empregos e 87% afirmavam que o governo fez pouco para dar segurança pessoal aos cidadãos.

É tão notório o declínio nas pesquisas que nem sequer o chamado a uma eventual guerra com a Colômbia, que alimente o nacionalismo, conseguiria revertê-lo. O mesmo estudo indica que oito em cada dez venezuelanos rejeitam a possibilidade de entrar em um conflito com os colombianos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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