UOL Notícias Internacional
 

13/11/2009

Apagão causa medo e caos na noite do Rio

El País
Francho Barón
No Rio de Janeiro
O famoso percussionista brasileiro Naná Vasconcelos se empenhava no palco de uma conhecida sala de espetáculos no bairro carioca do Leblon. O concerto, que nesse momento contava com a participação de um DJ e espetaculares projeções de videoarte, foi interrompido a seco às 22h14. Na mais absoluta escuridão e sem nenhum tipo de amplificação, Vasconcelos continuou emitindo sons com os objetos mais díspares e acabou oferecendo uma exibição magistral de berimbau. Todos pensavam que aquilo fazia parte do roteiro, até que o próprio maestro revelou o que estava acontecendo na rua: "Fui comunicado que não há luz no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, nem Paraguai".

A noite de terça-feira nas ruas cariocas apresentava um aspecto fantasmagórico. Tanto no Rio como em São Paulo, os serviços de metrô e trem foram repentinamente interrompidos e os passageiros viveram situações de tensão. Nem os semáforos nem a iluminação das vias públicas funcionavam. O tráfego se transformou em um caos e a sensação de insegurança ao caminhar por qualquer rua se multiplicou por mil.
  • Ricardo Nogueira/Folha Imagem

    Apagão em vários Estados do país deixou cidades no escuro, como Santos, no litoral paulista


Carlos, um jornaleiro carioca, aguardava em uma esquina a chegada de um táxi para voltar para casa: "Me disseram que vá me preparando para esperar, porque parece que tudo está em colapso", comentou, mal-humorado.

No Rio, a maioria dos bares e restaurantes continuou aberta, embora poucos com iluminação elétrica, produzida por geradores de emergência. As bebidas e os jantares na penumbra se prolongaram em toda cidade, afetando também a cantora Madonna, que nos primeiros minutos do apagão estava jantando em um luxuoso hotel do Rio e teve de recorrer à luz de velas junto com seu namorado brasileiro. A poucas centenas de metros, vários amigos tomavam cerveja no balcão de um velho bar. "Tanto criticaram Fernando Henrique [Cardoso] para acabar fazendo a mesma m...", desafogou-se João, em clara referência ao presidente Lula.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, diante do fantasma dos saques e do crime organizado - que recentemente voltou às manchetes dos jornais -, pôs em alerta máximo o corpo policial treinado para combater o crime nas favelas. As imagens da praia de Copacabana ou da avenida Paulista, em São Paulo, às escuras ocuparam as principais páginas de todas as edições digitais. Em alguns momentos os telefones celulares deixaram de funcionar devido ao colapso das linhas. Em São Paulo, megalópole conhecida por seus arranha-céus, muitos passaram maus momentos ao se ver presos em elevadores a muitos metros de altura.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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