UOL Notícias Internacional
 

17/11/2009

Caso de espionagem provoca crise entre Chile e Peru

El País
Jaime Cordero
Em Lima (Peru)
As sempre tensas relações diplomáticas entre Peru e Chile estão abaixo da crítica depois que o governo de Lima deteve na quinta-feira um suboficial de sua própria Força Aérea, acusado de espionar para o serviço de inteligência chileno. O presidente peruano, Alan García, cancelou no sábado a reunião que havia programado com sua homóloga chilena, Michelle Bachelet, em Singapura, onde os dois presidentes participam da reunião anual do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico.

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García anunciou que adiantaria sua volta ao Peru para analisar a situação. Já na sexta-feira o governo peruano chamou para consultas seu embaixador em Santiago, diante de um fato que o ministro das Relações Exteriores, José Antonio García Belaúnde, qualificou de "um ato inamistoso e ofensivo". Também foi cancelada a viagem ao Chile da ministra da Produção, Mercedes Aráoz, que tinha previsto visitar Bachelet na próxima semana para expor a iniciativa peruana de reduzir o gasto militar na região. No entanto, García Belaúnde descartou que o Peru vá romper as relações bilaterais.

Enquanto isso, em Lima, já se fala em uma rede de espionagem que teria transferido importantes documentos secretos, como o plano estratégico da Força Aérea, seus planos de armamentos, códigos telefônicos e a relação completa de oficiais e subalternos que recebiam instruções nas escolas de inteligência da instituição.

Segundo fontes do Ministério da Defesa, o técnico inspetor Víctor Ariza Mendoza, especialista em inteligência, foi detido depois de cinco meses de acompanhamento, nos quais se determinou que recebia pagamentos mensais entre US$ 6 mil e 8 mil em troca das informações que fornecia. Também se soube que foi delatado por um colega, ao qual teria tentado captar para que também fizesse trabalhos de agente duplo.

Ariza Mendoza, que havia trabalhado na embaixada peruana em Santiago em 2002, já foi denunciado por espionagem, revelação de segredos nacionais e lavagem de dinheiro, e poderá ser condenado a até 35 anos de prisão. Também foram processados outro subalterno da Força Aérea, cujo nome não foi revelado até o momento, e dois cidadãos chilenos que supostamente seriam suas ligações com o serviço secreto desse país. De acordo com fontes judiciais, Ariza já admitiu sua culpa e afirmou que espionava para o Chile por necessidade econômica.

O governo chileno negou as acusações e pediu prudência. "Não deve haver ações precipitadas diante de antecedentes que não têm como fundamento uma investigação válida", declarou a porta-voz do Executivo chileno, Carolina Tohá. "Queremos ser muito claros: o Chile não espiona. O Chile é um país muito sério em suas relações internacionais", acrescentou.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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