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17/11/2009

China proíbe venda de camisetas com rosto de Obama caracterizado de Mao Tse-tung

El País
José Reinoso
Em Pequim (Pequim)
No dia em que Barack Obama se transformou no primeiro presidente negro da história dos EUA, alguns empresários chineses antenados perceberam o potencial comercial que representava a grande popularidade de que o presidente americano goza na China. Há muito tempo a figura de Mao Tse-tung movimenta milhões de iuanes por ano em forma de souvenires turísticos, impressa em camisetas, isqueiros, canetas ou carteiras, e eles pensaram que a chegada de Obama ao poder permitiria ampliar a linha de produtos.

"Obamao"

  • AP Photo/Elizabeth Dalziel
Os empresários do país asiático puseram mãos à obra e, em um novo exercício de socialismo com características chinesas, fundiram "o melhor" de fora com "o melhor" de dentro e criaram toda uma gama de objetos turísticos com a figura do homem mais poderoso da Terra vestido com o uniforme da Guarda Vermelha da Revolução Cultural, tão presente no marketing chinês. Obama transformou-se em Oba-Mao.

Os jovens chineses, para os quais o presidente americano goza de grande atrativo, começaram a comprar camisetas e outros artigos com a efígie e o novo apelido do líder americano. Até alguns dias atrás, quando Pequim deu ordens para que as lojas retirem mercadorias e sacolas com o rosto de Obama como guarda maoísta e despachou fiscais para o comércio.

"Não restam camisetas de Obama, vendemos todas. A fábrica parou de fornecer", dizia no sábado a funcionária de uma loja, junto ao lago Houhai, no centro antigo da capital. Nas paredes da loja, porém, estão penduradas camisetas, sacolas e carteiras com o retrato de Mao Tse-tung e o slogan revolucionário "Sirva ao povo".

Barack Obama deverá chegar esta noite a Xangai e amanhã voará para Pequim, onde permanecerá até quarta-feira. As autoridades chinesas talvez temam ofender o hóspede e sua delegação ao facilitar crônicas mordazes para os jornalistas que acompanham a viagem asiática.

Trata-se da primeira vez que um presidente americano viaja à China no primeiro ano de sua chegada ao cargo, e a visita é esperada com expectativa. Haverá lugar para política, economia e mudança climática. Mas também para o turismo - Obama quer ir à Cidade Proibida e à Grande Muralha - e encontros com jovens chineses. Amanhã está organizado um diálogo com um grupo em Xangai, para o qual a agência de notícias oficial Xinhua recebeu perguntas em uma página da Internet. Chegaram mais de 3 mil. Os responsáveis pelo ato advertiram que devem ser questões mais do tipo pessoal que políticas. O encontro foi objeto de intensas negociações sobre se seria transmitido ao vivo pela televisão, coisa a que o governo chinês é geralmente contrário.

Segundo pesquisas realizadas pela imprensa local, a maioria dos universitários considera a personalidade de Obama cativante e fonte de inspiração. Lin Yuhen, uma universitária de 21 anos, compartilha essa conclusão. "Gosto de Obama. É um homem amistoso, moderno e atraente, é o presidente dos cidadãos", diz, sorridente.

Quando perguntados sobre a comparação com o presidente anterior, George W. Bush, os jovens chineses não hesitam. "Gosto muito mais de Obama. Bush criou problemas demais para o mundo", afirma Huang Hanji, 30 anos, comerciante de informática.

Segundo o jornal oficial em inglês "China Daily", os jovens "idolatram" Obama "porque ele encarna a personalidade e o caráter de um líder do qual podem se sentir próximos, diferentemente de algumas autoridades chinesas de rosto severo às quais aprenderam a temer".

Alguns, no entanto, creem que sua juventude - 48 anos - pode ser um problema por falta de experiência, especialmente em política internacional e economia. "O senhor realmente compreende a nossa China?", é uma das perguntas enviadas ao fórum da Internet.

Para outros, a concessão do prêmio Nobel da Paz, no mês passado, criou muitas expectativas sobre Obama. "É jovem, ativo e enérgico. Espero que o que fizer durante seu mandato corresponda à concessão do Nobel", afirma Huang Rongrui, 28, que trabalha em logística para exportação.

Mas nem todos na China conhecem o ilustre visitante.

"Obama... Obama? Não sei quem é. É um bar? Starbucks?", diz um homem que oferece em inglês bicicletas de aluguel na margem de Houhai.

De volta à pequena loja de lembranças turísticas, a vendedora afirma que não sabe quando terá novamente as camisetas revolucionárias, embora o Departamento de Comércio e Indústria de Pequim tenha dito que as camisetas poderão voltar às prateleiras quando terminar a visita oficial americana.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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