UOL Notícias Internacional
 

21/11/2009

Eleição de presidente da UE desperta temor de nova onda nacionalista na Bélgica

El País
Ricardo Martínez de Rituerto
Em Bruxelas
A Bélgica despertou na sexta-feira (20) encantada com a ideia de ter um belga como primeiro presidente permanente da União Europeia e temerosa de que o desaparecimento da cena política de Herman Van Rompuy abra caminho para o retorno do temido Yves Leterme, cujas proverbiais falta de tato e abrasividade com os francófonos provocaram uma febre nacionalista que durante um ano e meio manteve o país à beira do caos. O rei Alberto 2º recebeu ao longo do dia vários líderes políticos para sondar a substituição de Van Rompuy.

Em menos de um ano, Van Rompuy transformou a sempre complexa trama política belga em um lago tranquilo, feito mais que notável depois do paroxismo em que Leterme atirou o país, anunciado pelo discurso de sua grande vitória nas eleições de 2007, quando prometeu que buscaria uma reorganização de poderes entre Flandres (de língua flamenga), Valônia (de língua francesa) e a região de Bruxelas. Leterme caiu no torvelinho que se seguiu à crise bancária de 2008, devido a uma carta divulgada pelo então presidente da Assembleia Nacional, Herman Van Rompuy, na qual se insinuavam pressões do primeiro-ministro sobre os juízes que intervieram nas vicissitudes do banco Fortis. Expulso do primeiro plano político no Natal passado, um tribunal o exonerou em seguida e Leterme voltou ao governo como ministro das Relações Exteriores em julho.

Na hora da substituição no timão do Executivo que exige a promoção europeia de Van Rompuy, Leterme é o favorito para voltar a dirigir o gabinete em consequência da complexa relação de forças no Parlamento, onde os cinco partidos que dividem o governo se atacam sempre que possível. Uma importante figura socialista adiantou na televisão que Leterme "poderá ser [primeiro-ministro] se se comprometer a buscar a estabilidade, a solucionar os problemas econômicos e o problema do BHV". BHV (Bruxelas-Hal-Vilvoorde) é uma circunscrição eleitoral onde se destacam os problemas da complexa arquitetura institucional belga e onde se chocam de forma até agora insolúvel as placas tectônicas de flamengos e francófonos.

O sereno Van Rompuy, que contava com a confiança dos francófonos, pretendia abordar o assunto da BHV nas próximas semanas. Pensar que o incendiário Leterme vai intervir no caso lhes causa tremores. O primeiro-ministro de saída, que assumirá suas funções na UE a partir de 1º de janeiro, disse que seu sucessor sempre poderá contar com seu conselho.

A incerteza política é acentuada pela pouca clareza sobre o caminho a seguir na composição do próprio governo: se tratar a saída de Van Rompuy como a de um ministro e realizar apenas ajustes de detalhe, ou abordá-la como uma operação significativa que representará mudanças substanciais no futuro gabinete de Leterme. Com o risco de que antes de começar já se aqueçam os ânimos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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