UOL Notícias Internacional
 

22/11/2009

Desabastecimento e furacões asfixiam Cuba

El País
Mauricio Vicent
Em Havana (Cuba)
Cuba entra de novo na escuridão da crise. A falta de liquidez, que sempre foi a maior fraqueza da economia cubana, está agora asfixiante. Nos últimos nove meses a troca comercial caiu 36%, e desta queda, 80% corresponde às importações. O desabastecimento nos mercados é geral e há cortes imensos no consumo elétrico para evitar os apagões. Algumas empresas fecharam. O governo começou a eliminar subsídios e benefícios sociais, e pede à população que "aperte os cintos" porque as restrições serão ainda maiores em 2010.

Os chamados à contenção e à austeridade são normais e cíclicos em Cuba. Mas desta as coisas parecem mais críticas. A situação financeira de Cuba é grave. "Muito grave", assegura um economista que prefere se manter no anonimato. Ele confirma o que já se sabe há meses nos escritórios de homens de negócios e embaixadas: já são centenas de empresários estrangeiros incapazes de transferir o dinheiro que têm depositado em suas contas em bancos cubanos. Não há fundos. Calcula-se que haja em torno de US$ 600 milhões imobilizados, a metade deles, espanhóis. Mas é apenas uma estimativa.

O próprio Raúl Castro reconheceu em outubro ao ministro espanhol de Assuntos Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, que a situação é muito delicada. O presidente cubano disse a Moratinos que seu país cumprirá com seus compromissos, mas advertiu que não há soluções de imediato e que terá que negociar datas em cada caso. Segundo economistas independentes, este ano, pela primeira vez, o Produto Interno Bruto (PIB) da ilha poderá decrescer depois de vários anos de números positivos. Em 2006, o crescimento foi de 12,1%; em 2007, de 7,3%, e em 2008, de 4,3%. Este ano as autoridades prognosticaram 6% de aumento do PIB, mas depois o reduziram para 1,8%.

Segundo o governo, vários fatores influenciam a crise atual: a recessão internacional; a queda dos preços de seus produtos de exportação, o aumento dos preços dos alimentos e combustíveis importados; as sequelas dos furacões que arrasaram a ilha no ano passado, deixando perdas equivalentes a 20% do PIB; e os efeitos do embargo norte-americano. Não se menciona outro assunto que para muitos é vital: a ineficiência da economia socialista e a falta de reformas que reativem a produtividade. As importações cubanas, que no ano passado chegaram aos US$ 14 milhões, este ano sofreram uma queda de US$ 4 milhões. Outro dado: no mês de agosto, os bens importados da Espanha foram reduzidos em 60%.

Na rua, os efeitos da crise são visíveis. Nas prateleiras dos mercados, onde obrigatoriamente deve-se comprar artigos de primeira necessidade (desde o óleo de cozinha ao xampu), há cada vez menos coisas, e a preços excessivos para a maioria. Faltam mercadorias. E na mesma medida aumentam os incentivos para economizar, sobretudo energia elétrica. Cada empresa e cada província têm um plano rígido de consumo que é revisado diariamente. Nos escritórios do Estado é proibido usar o ar condicionado durante grande parte do dia, e empresas que não proporcionam divisas à economia têm sido fechadas.

O governo, enquanto isso, começa a desmantelar o sistema de subsídios e benefícios sociais. A eliminação dos refeitórios para operários, que começou como experimento em quatro ministérios, será estendida aos 24.500 refeitórios que existem em todo o país (com a medida espera-se economizar US$ 350 milhões). Na semana passada, as ervilhas e as batatas saíram da lista de racionamento, mas são vendidas muito mais caro agora. E é só o começo. O vice-presidente cubano, Ricardo Cabrisas, reconheceu no começo do mês para o comissário europeu de Cooperação, Karel de Gucht, que só restaram os benefícios reconhecidos pela Constituição, ou seja, a educação e a saúde.

Tradução: Eloise De Vylder


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