UOL Notícias Internacional
 

28/11/2009

Havana desafia Obama com os maiores exercícios militares dos últimos cinco anos

El País
Mauricio Vicent
Em Havana (Cuba)
Cuba é desde quinta-feira um gigantesco teatro de operações militares. "Bastião 2009" é o nome do jogo de guerra de que participam centenas de tanques, equipes de artilharia reativa, canhões, aviões e barcos, além de centenas de milhares de cubanos, entre militares, reservistas e milicianos. São as manobras de maior envergadura desde 2004, apesar de a tensão entre Havana e Washington ter se reduzido notavelmente com o governo de Barack Obama. O governo de Raúl Castro justificou a realização da Bastião porque "o confronto entre Cuba e o império" se mantém e porque "é necessário preparar-se" para a eventualidade de uma invasão.
  • AP Photo/Emilio Herrera, Prensa Latina

    Em foto tirada em 18 de novembro, soldados se preparam para exercício militar em Cuba


Este é o quinto exercício militar Bastião que se realiza desde 1980. As primeiras manobras se realizaram coincidindo com a chegada ao poder nos EUA do republicano Ronald Reagan, com quem as tensões cubano-americanas dispararam. A antiga União Soviética ainda existia quando as manobras foram repetidas em 1983 e 1986 - também com Reagan no poder em Washington -, e as últimas se realizaram em 2004, com George W. Bush na Casa Branca.

Esta é a primeira Bastião que se efetua com um presidente democrata, justamente quando Obama acaba de dizer que seu país "não tem intenção de usar a força militar em Cuba" e se pronunciou a favor de uma "diplomacia direta e sem condições".

No entanto, as autoridades cubanas não parecem dispostas a confiar em seu velho inimigo. "Um confronto entre os dois países pode se tornar mais agudo, e tal situação mudar em uma semana, um mês ou um ano", afirmou na televisão o segundo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Revolucionárias, general de divisão Leonardo Andollo. O militar insistiu em que as manobras são "defensivas" e partem da estratégia de que "a melhor maneira de ganhar uma guerra é evitando-a".

A crise, que galopa sobre Cuba e ameaça até com uma quebra financeira, não impediu o exercício militar. Em todos os níveis afirma-se que as manobras são realizadas "com austeridade mas com eficácia". Nos exercícios Bastião anteriores havia-se partido da hipótese de uma invasão americana como estopim da guerra. Nesta ocasião, o teatro de operações começa "de uma situação de tempo de paz", na qual, segundo Andollo, se prevê "o aumento da atividade subversiva do inimigo, destinada a provocar desordem social e ingovernabilidade, aproveitando para isso a situação que se criou ... como sons da crise financeira e econômica mundial".

Esses distúrbios internos seriam o prelúdio da famosa intervenção. A estratégia para impedi-la é a chamada "guerra de todo o povo". Espera-se que 4 milhões de pessoas participem das manobras.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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