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28/11/2009

Pesquisas indicam vitória da esquerda nas presidenciais do Uruguai

El País
S. Gallego-Díaz
Enviada especial a Montevidéu (Uruguai)
Há pouca emoção e nenhuma incerteza no segundo turno das eleições presidenciais no Uruguai. Em Montevidéu inclusive desapareceram os postos de rua dos partidos e os cartazes que animaram o primeiro turno em 25 de outubro passado. Todas as pesquisas estão de acordo e ninguém parece ter a menor dúvida: neste domingo José "Pepe" Mujica, candidato da coalizão de esquerda Frente Ampla (FA), será eleito presidente do Uruguai, com uma diferença entre 7 e 9 pontos sobre seu adversário, Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional.

Jose Mujica encerra campanha presencial do segundo turno confiante na vitória

A campanha dos dois candidatos teve poucas surpresas. A de Mujica se concentrou em oferecer continuidade para um projeto já em marcha. A FA governa há cinco anos, e sob a presidência de Tabaré Vázquez - que não pode se candidatar novamente, mas que conserva níveis de popularidade superiores a 60% - conseguiu um crescimento econômico espetacular (mais de 6% ao ano) e uma considerável redução da pobreza.

Lacalle, 68 anos, presidente de 1990 a 1995, baseou sua candidatura em uma promessa de redução de impostos que despertou mais preocupação que apoio. Um de seus grandes erros, segundo muitos analistas, foi anunciar que utilizaria uma "motosserra" para cortar os gastos públicos. Outro, qualificar de "cova" o pequeno sítio onde vive Mujica, nas proximidades de Montevidéu. Seu grande calcanhar-de-aquiles foram as acusações de corrupção que cercaram sua etapa presidencial anterior.

Pepe Mujica, 74 anos, um dos principais dirigentes do movimento guerrilheiro tupamaro, que lhe custou anos de prisão e terríveis torturas durante a ditadura militar (1973-1985), é um dos políticos mais queridos do Uruguai, mas também um senador peculiar, de estilo simples e fala direta, o que lhe causou frequentes problemas. De fato, seus assessores se negaram redondamente a que ele participasse de um debate pela televisão, cara a cara com seu adversário. Durante o primeiro turno se publicou um livro de conversas em que o candidato criticava a tudo e a todos, incluindo os seus.

Tabaré Vázquez reagiu com decepção e Mujica e a FA tiveram de se esforçar para garantir que não haveria mudanças na linha econômica e financeira, baseada no apoio ao investimento estrangeiro. Sobretudo, Mujica teve de enfrentar as dúvidas da oposição sobre sua convicção democrática. Em 25 de outubro Mujica obteve 48,16% dos votos e Lacalle, 28,09%, o que, somados aos votos do terceiro candidato, Pedro Bordaberry, do Partido Colorado (16,6%), deixava a oposição em uma posição comprometida diante do segundo turno.

O resultado pessoal de Lacalle foi especialmente ruim e seu partido perdeu milhares de seguidores, que passaram quase em bloco para os colorados. Um novo resultado abaixo inclusive das pesquisas provavelmente faria que Lacalle tivesse de deixar a direção do Partido Nacional para o candidato a vice-presidente, Jorge Larrañaga, que poderia se transformar em um verdadeiro interlocutor do futuro governo de Mujica.

Convencidos de que Mujica ganhará as eleições neste domingo, os analistas dedicam quase mais tempo a analisar a possível composição de seu futuro governo do que a calcular porcentagens. O candidato já garantiu que a direção econômica ficará nas mãos do vice-presidente, Danilo Astori, que foi ministro da Economia de Vázquez e competiu com o próprio Mujica nas eleições internas da FA. Astori representa a continuidade e inspira mais confiança que Mujica nos meios financeiros uruguaios, relativamente inquietos diante do toque "esquerdista" que o novo presidente possa dar à legislatura. Tudo dependerá, no entanto, da relação de forças dentro da própria FA e do poder que Vázquez conserve na organização. Em 25 de outubro a FA conseguiu maioria no Congresso e no Senado.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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