UOL Notícias Internacional
 

08/12/2009

Evo Morales e Barack Obama não têm química

El País
Fernando Gualdoni Em La Paz (Bolívia)
As más relações com os EUA provocaram fortes prejuízos para a economia boliviana e mais narcotráfico

O maior desafio em política externa do presidente Evo Morales será o restabelecimento das relações com os EUA. Por trás da retórica anti-imperialista, até os analistas e economistas que mais simpatizam com o Movimento Ao Socialismo (MAS) reconhecem que a suspensão há um ano das vantagens comerciais que Washington concede aos países andinos em função da luta contra o narcotráfico já custou dezenas de milhares de postos de trabalho em setores produtivos incipientes alheios à energia e perdas de mais de US$ 150 milhões. O congelamento do acordo foi ratificado recentemente por Obama e isso enfureceu Morales, que abrigava esperanças de que o novo inquilino da Casa Branca fizesse um gesto na direção de La Paz.

O relatório que conduziu a decisão de Obama, do Departamento para a América Latina de Washington, concluía que a Bolívia, como a Venezuela e Mianmar (antiga Birmânia), "havia fracassado nos últimos 12 meses em demonstrar seu compromisso com os acordos internacionais contra o narcotráfico e em tomar medidas contra esse delito".

A paralisação do acordo comercial foi o último episódio de uma escalada de tensão entre os dois países que começou com a expulsão do embaixador americano Philip Goldberg em setembro de 2008.

O presidente boliviano acusou Goldberg de "conspirar contra a democracia e buscar a divisão da Bolívia" por seus contatos com a oposição da região autonomista de Santa Cruz. Um mês depois La Paz ordenou a saída da Agência Antidrogas Americana (DEA) por "conspirar" contra seu governo. Então já havia sido expulsa a Agência de Cooperação dos EUA (Usaid) da região "cocalera" de Chapare. Washington, por sua vez, também ordenou a saída do embaixador boliviano.

Apesar de em outubro passado ter havido uma aproximação, um mês depois as espadas estavam novamente erguidas. O governo americano continua "interferindo em nossa política", disse em uma entrevista o vice-presidente Álvaro García. "Enquanto não mudar de atitude, essa distância saudável e soberana é o mínimo que podemos fazer como país que se respeita a si mesmo", acrescentou.

Paralelamente ao afastamento de La Paz e Washington, aumentaram os relatórios de organismos como a ONU ou de serviços secretos como o brasileiro que dão conta de um forte aumento da produção de cocaína na Bolívia. Apesar do plano Cocaína Zero, implementado por Morales pouco depois de chegar ao poder, foi registrada uma maior presença dos cartéis andinos da droga na Bolívia. O chefe da polícia antinarcóticos, coronel Óscar Nina, informou há um mês que foram destruídos cerca de 20 laboratórios de grande capacidade de produção de cocaína em 2009. "Nunca havíamos visto fábricas dessa magnitude em nosso país", declarou então.

Nesta mesma semana, na reta final da campanha eleitoral, a revista brasileira "Veja" informou que nos últimos quatro anos a produção de pasta-base de cocaína havia aumentado 41% na Bolívia. Nesse período a superfície cultivada aumentou de 25.400 para 30.500 hectares e 71% da produção foram destinados à elaboração de droga, alcançando 113 toneladas anuais. A revista citou Luiz Castro Dórea, chefe da Divisão de Entorpecentes da Polícia Federal brasileira, que indicou a expulsão da DEA como uma das principais razões do aumento do narcotráfico. Nina disse desconhecer o relatório brasileiro e lembrou que a força que dirige havia conseguido números históricos na apreensão de droga na Bolívia.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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