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15/12/2009

Banho, um dos rituais mais poluidores do Japão

El País
Andrés S. Braun Em Tóquio (Japão)
O governo tenta reduzir o consumo energético e a emissão de CO2 do hábito diário dos japoneses

A maioria dos japoneses fica atônita quando lhes explicam que em muitos países que sofrem períodos de seca, como a Espanha, se realizam campanhas que animam os habitantes a tomar duchas em vez de banhos. "Isso no Japão seria impensável", explica Rika Furuya, funcionária pública de 36 anos. Todas as noites Furuya toma uma ducha quente, esfregando o corpo com sabão. Depois de limpa, enche a banheira até a borda com água fervendo e nela mergulha durante meia hora para relaxar. É assim que funciona o costume japonês do banho diário, uma tradição secular desenvolvida a partir de práticas xintoístas e budistas, que no século 21 contribuem para o aquecimento do planeta.
  • Yuriko Nakao/Reuters

    Jovens japonesas relaxam em casa de banho em Tóquio. Dados do Ministério do Meio Ambiente japonês indicam que aquecer água é a atividade que mais consome energia em cada residência: 39% do total. Mas o povo do país ainda resiste à ideia de mudar o hábito ancestral de tomar banhos



Para os japoneses é difícil acreditar que esse hábito relaxante, que consideram muito benéfico para a saúde - e que contribui para sua notória longevidade -, possa prejudicar o ecossistema. Mas dados do Ministério do Meio Ambiente japonês indicam que aquecer água é a atividade que mais consome energia em cada residência: 39% do total.

Isso vem a representar uma parte importante dos 166 milhões de toneladas de CO2 que as famílias no Japão emitem (13% do total do país), segundo números de 2005. Como se fosse pouco, esses mesmos dados também indicam que as emissões das residências dispararam em relação a 1990, aumentando 30%.

"Se a água não escalda, não é um banho japonês de verdade", explica Furuya. Sua casa, como a maioria neste país, utiliza uma caldeira para o banho. A conta do gás é acessível no Japão, e por isso, segundo um estudo do Ministério do Meio Ambiente de 2008, seus cidadãos não têm consciência real do que consomem.

Como o hábito nacional do banho está muito longe de ser questionado, o governo anterior, do Partido Liberal Democrata, iniciou campanhas de sensibilização, animando as famílias a tomar duchas durante menos tempo e a compartilhar a mesma água da banheira. Também se incentivou o uso da energia solar térmica - cuja instalação é muito cara - para aquecer água ou o de medidores eletrônicos que indicam o consumo e seu custo e alertam sobre desperdícios. Estes últimos são cada vez mais populares, embora nem tanto quanto as bombas de calor elétricas de alto rendimento, o chamado sistema EcoCute, que reduz em 30% o consumo e 50% as emissões.

Conferência do Clima COP15

  • Reprodução


Embora o custo do sistema continue alto (cada bomba custa cerca de 3.800 euros), o governo anterior assumiu como objetivo a instalação financiada de 5,2 milhões de aparelhos em residências e estabelecimentos comerciais até 2010. Foram vendidas 2 milhões de unidades.

O novo governo do primeiro-ministro Yukio Hatoyama, que prometeu reduzir as emissões em 25% até 2020 em relação a 1990, está estudando aplicar um maior tributo às energias menos limpas. A medida representaria um menor desperdício nos lares. Mas também ameaçaria fazer desaparecer toda uma instituição nacional que são as casas de banhos públicos, chamadas "sento", tremendamente populares no Japão. Elas são frequentadas inclusive pelos que têm banheira em casa, porque são um importante foco de sociabilização. Muitas "sento" ainda utilizam combustíveis fósseis para aquecer suas enormes banheiras, e por isso sua sobrevivência pode estar ameaçada.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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