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15/12/2009

O legado da Concertação para o Chile

El País
Manuel Delano Em Santiago (Chile)
A coalizão de centro-esquerda promoveu a economia e as conquistas sociais, mas fracassou na reforma política

Uma mistura complexa de avanços sociais, econômicos e políticos, mas com carências em determinados campos, é o legado da Concertação, a coalizão que governou o Chile nos últimos 20 anos. O país despertou para a democracia em 1990, com um nível de pobreza de 38,6% que hoje se reduziu para 13,7% da população, uma conquista que foi considerada como exemplo de políticas públicas por parte de organizações internacionais. A contrapartida é que a distribuição da renda entre ricos e pobres se manteve quase tão desigual quanto 20 anos atrás, e o Chile é um dos países menos igualitários da América Latina.
  • Fernando Nahuel/EFE

    O candidato da oposição de direita, Sebastián Piñera, comemora a vitória no primeiro turno das eleições do Chile, ao lado da mulher Cecília Morel. Piñera abriu 14 pontos de vantagem sobre o 2º colocado, o ex-presidente Eduardo Frei, da coalizão de centro-esquerda Concertação

Para o sociólogo Augusto Varas, presidente da Fundação Equitas, as duas décadas de governos da Concertação - com dois presidentes democrata-cristãos nos anos 1990 e dois socialistas nesta década - "deixaram como uma marca na sociedade chilena de que a educação, a saúde e a moradia constituem direitos sociais". Varas também ressalta a construção, durante o governo de Michelle Bachelet, de um sistema de proteção social para os mais vulneráveis, junto com a criação de um novo espaço para a mulher na vida política e pública. As políticas econômicas de abertura ao exterior permitiram financiar o crescente gasto social.
  • Claudio Reyes/EFE

    Eduardo Frei O senador e ex-presidente (1994-2000) pretende voltar ao poder aos 67 anos



Um dos debates da campanha foi se um eventual governo de direita pode reverter alguns desses avanços. Sebastián Piñera salientou com pragmatismo que manterá a proteção social, a principal obra dos socialistas Bachelet e Ricardo Lagos. A suposta irreversibilidade dessas conquistas se sustenta em que a presença do Estado faz parte da vida das novas gerações. Mas os críticos lembram que são exatamente essas gerações as mais decepcionadas com a Concertação: é entre os jovens e as pessoas que estão entrando no mercado de trabalho que Piñera e o independente Marco Enríquez-Ominami conseguem mais apoio, segundo as pesquisas.

Um último legado que surpreendeu os conservadores chilenos foi a gestão responsável em matéria econômica pelos governos da concertação. "Quando houve recursos extras, foram poupados para os tempos de escassez", explica Varas.

Os déficits também são fortes. O principal é que a reforma do sistema eleitoral e político continua pendente, afirma Varas. O sistema eleitoral binominal, criado na ditadura, obriga à construção de dois grandes blocos no Parlamento, o que dá estabilidade mas favorece a primeira minoria, que nestes anos foi a direita, e exclui o resto dos partidos e os independentes. "Depois de 20 anos de Concertação, o Chile tem instituições não plenamente democráticas, mas estáveis", conclui Varas.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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