UOL Notícias Internacional
 

16/12/2009

Ataque contra Silvio Berlusconi exige condenação enérgica

El País
A agressão sofrida no domingo por Silvio Berlusconi em Milão não deveria contar com a condescendência de ninguém. Nada se pode argumentar: nem o desdém do primeiro-ministro pelo Estado de direito, nem as causas penais que pesam sobre ele e das quais tenta se esquivar mediante leis "ad hoc", nem suas iniciativas populistas contra minorias como os ciganos ou os estrangeiros, nem sua confusão entre o público e o privado, que inclui desde os interesses empresariais até os escândalos, podem ser invocados como desculpa e, menos ainda, como justificativa para o brutal ataque. E a razão é que, como cidadão e também como primeiro-ministro, Berlusconi tem um direito inalienável: o respeito a sua dignidade. E, é claro, a sua integridade física.

A polícia conseguiu deter imediatamente o agressor, que afinal era um homem de 42 anos que agia sozinho e que tem transtornos mentais. Se não aparecerem mais dados, não tem sentido que se façam teorias conspiratórias para explicar o ataque, afirmando que se trata de um atentado terrorista ou que existe uma campanha de ódio orquestrada contra o primeiro-ministro. Da mesma forma que sua posição à frente do Executivo não exime Berlusconi de submeter-se à jurisdição dos tribunais para responder pelos possíveis delitos que cometeu, o fato de que foi vítima de uma agressão inaceitável não o autoriza, nem a seu partido, a atacar uma oposição que cumpre seu dever quando denuncia os atropelos do Executivo.

Seria igualmente mesquinho e politicamente desestabilizador que a oposição tivesse mostrado a menor condescendência sobre o ataque, o que em geral não ocorreu, como utilizar o ataque para encurralar e silenciar a oposição, algo em que, entretanto, estão incorrendo alguns aliados de Berlusconi.

A degradação da vida pública na Itália está se traduzindo em um grave desprestígio das instituições, o que corre o risco de provocar, por sua vez, uma deterioração profunda e quase irremediável do sistema democrático. São muitas as luzes de alarme que se acenderam antes dessa agressão. E é provável que se acendam muitas outras nos próximos dias e semanas. O governo italiano não deve se prevalecer da comoção provocada pelo ataque para avançar a toda velocidade com seus projetos legislativos para garantir a impunidade do primeiro-ministro.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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