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16/12/2009

"Não serei o guardião do passado, mas um construtor do futuro", diz Sebastián Piñera, candidato conservador à presidência do Chile

El País
Isabel Landa Em Santiago (Chile)
Sebastián Piñera sente-se um vencedor. O candidato à presidência do Chile pela Coalizão para a Mudança vive o triunfo eleitoral no primeiro turno realizado no domingo convencido de que a sociedade chilena está pedindo novos ares. O empresário diz que quer deixar para trás o passado e buscar a união nacional contra o desgaste de seu adversário no segundo turno, Eduardo Frei, da Concertação (democratas-cristãos e socialistas). "Fui contra Pinochet. Sempre deixei claros meus compromissos com a democracia e os direitos humanos. Mas agora é o momento de uma mudança, de inovar e de acabar definitivamente com as desigualdades".
  • Claudio Santana/AFP

    O candidato oposicionista à presidência do Chile, Sebastián Piñera, disse ao El País que os chilenos precisam esquecer Pinochet e pensar no futuro


El País: Estão convencidos de que ganharão em 17 de janeiro?
Sebastián Piñera:
Sim, creio que vamos ganhar e com uma ampla margem, por dois motivos: temos um grande projeto para o Chile, o renascer do país que adormeceu em 1998, quando Frei [presidente entre 1994 e 2000] não soube enfrentar a crise asiática. Vivemos um momento de vacas magras, falta emprego, a qualidade da política deteriorou e perdemos o rumo e a vontade. E o segundo motivo: a Concertação está com fadiga de material, esgotada. Aferra-se ao poder mas perdeu ideias, e as pessoas não querem isso.

El País: E o que a direita propõe?
Piñera:
Recuperar o dinamismo, criar empregos, acabar com a criminalidade e fazer grandes reformas para melhorar a qualidade da saúde e da educação. É claro, mantendo as coisas boas que foram feitas pelo governo da Concertação. Vamos melhorar e ampliar a rede de proteção social, porque o Chile é um país com níveis inaceitáveis de desigualdades sociais.


El País: De onde virão os votos de que precisam para chegar à La Moneda?
Piñera:
Vamos recuperar uma parte muito importante dos votos de Marco Enríquez-Ominami, porque compartilhamos o conceito de mudança, de revitalização, e porque compartilhamos o diagnóstico de que a Concertação não oferece nenhuma opção de futuro.

El País: Até que ponto o senhor vai se afastar da direita mais radical que o apoiou? Como se afastar de Pinochet?
Piñera:
Não é por acaso que sou candidato da Coalizão para a Mudança. Sempre tive compromissos firmes com a democracia, o respeito aos direitos humanos e ao Estado de direito, e isso fez com que eu fosse um opositor do governo de Pinochet. Fui contra a Constituição de 1980 e contra ampliar o mandato de Pinochet por mais oito anos. Lutei para recuperar a democracia. Meu segundo compromisso foi com a economia social de mercado, com a iniciativa individual, com a inovação. E o terceiro compromisso é com uma sociedade mais justa e igualitária, e por isso conseguir erradicar a pobreza é um objetivo sagrado. Não quero continuar repetindo as mesmas divisões e ódios de 30 anos atrás, que tanto prejuízo causaram ao Chile. Não estou aqui para ser o guardião do passado, mas um construtor do futuro. O país conhece meus compromissos e por isso tivemos sucesso no domingo e teremos em 17 de janeiro.

El País: Foram as primeiras eleições sem Pinochet. Isso influiu?
Piñera:
Pinochet faz parte do passado. Nós queremos construir um futuro de união nacional, de maior prosperidade e maior justiça para todos.

El País: Continuará com a investigação do assassinato de Eduardo Frei (pai do candidato da Concertação) e de outros casos que possam surgir?
Piñera:
É claro, creio que é preciso reforçar o Poder Judiciário diante dos atropelos dos direitos humanos. O assassinato de um ex-presidente chileno, que conheci e por quem tive muito carinho, não pode deixar de ser investigado.

El País: Continuará apoiando o acordo com o Mercosul?
Piñera:
O Chile é membro associado e vamos continuar nessa condição. Mas teremos uma relação aberta com todos os países. O Chile é uma economia pequena e sua expansão passa por abrir-se para o mundo globalizado. Queremos ser o primeiro país da América Latina a deixar para trás a pobreza e integrar-se ao Primeiro Mundo.

El País: Os chilenos querem uma mudança apesar do índice de popularidade de Michelle Bachelet?
Piñera:
Definitivamente sim. Uma coisa é a popularidade de Bachelet e outra a gestão. Foi a primeira mulher a chegar à presidência, está terminando seu mandato e tem muitas qualidades pessoais. Mas se você pedir aos chilenos uma avaliação de sua gestão, lhe dirão que estão descontentes com os índices de desemprego, com o aumento da criminalidade, com a estagnação em questões de saúde e educação. Não há qualquer contradição entre o respeito e o carinho pela presidente Bachelet e o profundo desejo de mudança.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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