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18/12/2009

Falhas na segurança favoreceram agressão contra Berlusconi

El País
Miguel Mora Em Roma
Policiais e guardas particulares da Fininvest dividem a segurança do magnata e primeiro-ministro, com disputas frequentes entre eles

Berlusconi decide. Se tem vontade de um banho de massas, o toma. Inclusive contra a opinião do serviço secreto, que em 14 de outubro passado enviou ao governo um relatório oficial alertando que o risco de ataque de um fanático era "elevado". Lá estava Il Cavaliere, passeando entre curiosos e exaltados, quase sem proteção. Quem defende o primeiro-ministro em meio à suposta "campanha de ódio" que a Itália atravessa? Por que ninguém evitou a agressão de Tartaglia?
  • AFP

    Segundo o jornal El País, segurança do premiê italiano cometeu pelo menos três falhas nos dias que antecederam a agressão ao primeiro-ministro


Diferentemente do que acontece em outros países, por exemplo Espanha ou EUA, há um primeiro dado preocupante. Berlusconi não obedece às ordens de sua segurança: é a escolta que se dobra a seus desejos. Diversos especialistas internacionais explicaram nos últimos dias que no domingo o dispositivo de proteção do chefe de governo da sétima maior economia do mundo cometeu pelo menos três falhas. Deixou Berlusconi se aproximar de seus seguidores sem formar um corredor de segurança. Os guarda-costas olhavam para o presidente e não para seus possíveis atacantes. Em vez de tirar o alvo do lugar a toda velocidade, como manda o protocolo, deixaram que voltasse a sair do carro, subir no estribo e se expor a um novo ataque.

O ministro do Interior, Roberto Maroni, defendeu na terça-feira no Parlamento a atuação das forças da ordem. Na opinião dele, foi impecável. "Inclusive desalojaram 300 manifestantes ruidosos que havia debaixo do palco", indicou. O chefe da oposição, Pier Luigi Bersani, lembrou que nos últimos meses houve três buracos na segurança do primeiro-ministro. As fotografias que Antonello Zappadu tirou nas festas de Villa Certosa; a entrada de dançarinas e prostitutas no palácio Grazioli, tão livres que filmaram imagens e conversas, e a agressão do Duomo em Milão.

A razão é que a mistura de público e privado que caracteriza a ação política de Berlusconi também se aplica a sua segurança. Embora formalmente a Agência de Informação da Segurança Interna seja uma estrutura estatal e dependa dos serviços secretos, o dispositivo é formado por uma mistura de policiais e seguranças privados. "Há uma centena de homens a serviço dele. Na maioria são militares, mas o núcleo de confiança é formado por cerca de 20 guardas privados que procedem de suas empresas", explica um jornalista que acompanha o primeiro-ministro.

"Alguns trabalharam no Mediaset, outros nos supermercados Standa e todos pertencem à Finivest. Berlusconi obriga o serviço secreto a contratá-los", acrescenta essa fonte. Na realidade, a escolta funciona como um serviço secreto privado. Seus escolhidos estão em alguns casos há mais de 20 anos com Berlusconi. "Trabalham com uma lógica empresarial. Fazem vista grossa quando devem, executam o que o chefe decide e não respondem a ninguém", indica uma fonte policial. Alguns fizeram carreira.

"O chefe da escolta é um homem da Mediaset", afirmam fontes sindicais. Quando o chefe do governo vai a lugares públicos, a competência de sua proteção corresponde ao serviço secreto. Uma vez "penteado" o lugar, os gorilas do Cavaliere assumem o comando. Zappadu, acusado por Berlusconi de violar sua residência ao fotografá-lo na Villa Certosa diversas vezes entre 2007 e 2009 (o juiz o absolveu dessa acusação), salienta que os choques entre os policiais e a guarda pessoal foram "frequentes e são bem conhecidos" na Sardenha.

Em suas fotos apareciam diversos guarda-costas equipados como mercenários. "Não são policiais nem carabineiros, porque não usam uniforme: estão de suéter azul e portam metralhadoras." Seu aspecto lembra os traços eslavos da Europa do Leste, mas Berlusconi negou há meses que teria recorrido a serviços de países amigos para reforçar sua segurança. "Ele prefere ter sempre por perto sua guarda pessoal, em Villa Certosa são eles que dirigem os carrinhos de golfe", explica o repórter. "Quando foram publicadas as fotos de 2007, havia policiais perto dele. Depois desse momento foram afastados."

Na terça-feira o serviço secreto elevou o grau de alerta. Depois do ataque, Berlusconi deve limitar seu contato direto em lugares públicos. Do hospital, Il Cavaliere informou que não renunciará a seu símbolo de identidade: abraços, autógrafos, inclusive presentes (como a bolsinha preta que levava na mão e elevou ao rosto para cobrir a ferida). Oficialmente o governo prefere jogar água na fogueira. Mas um deputado do Povo da Liberdade, membro do Copasir, Carmelo Briguglio, disse alto e claro: "O atual dispositivo de segurança se revelou inadequado e cheio de lacunas e deve ser radicalmente modificado".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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