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18/12/2009

Minas inundadas proporcionam calefação e refrigeração na Holanda

El País
Isabel Ferrer Em Haia (Holanda)
O aproveitamento da água acumulada nas minas abandonadas, um projeto experimentado pela primeira vez na Holanda, consiste em extrair energia geotérmica do líquido para fornecer água quente (em calefação) e fria (em ar condicionado) a edifícios da vizinhança. Com essa fórmula as emissões de CO2 podem ser reduzidas em cerca de 55%.

Nos países desenvolvidos, a climatização corresponde a 50% do consumo energético. Para fornecer a energia verde, que durante o experimento holandês abasteceu cerca de 200 lares e 22 mil habitantes, era preciso contar com minas inundadas de forma natural. Ellianne Demollin-Schneiders, coordenadora municipal de gestão energética, pensou que as minas fechadas em Herleen quatro décadas atrás poderiam ser recuperadas, e a França, a Alemanha e o Reino Unido aprovaram o plano. O apoio definitivo chegou com o programa de investimentos do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, que forneceu 48% dos 20 milhões de euros estimados.

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Na mina de carvão holandesa as galerias tinham de ser bombeadas sem parar para serem mantidas secas. A água que se acumula em profundidade adquire uma temperatura de 32 graus centígrados. Perto da superfície, entretanto, fica a 28 graus. Como o difícil é transportar a água, uma rede de encanamento de sete quilômetros de extensão teve de ser desenhada. Também foi criada uma central que extraísse o calor da água. Uma vez escolhidas as minas (Oranje Nassau I e Oranje Nassau III), dois poços de cerca de 800 metros de profundidade foram perfurados. Uma vez concluídos, a água pôde ser bombeada à razão de 80 metros cúbicos por hora. A imobiliária local Weller, principal investidora, financiou depois a abertura de outros três poços com profundidade entre 250 e 500 metros.

A água extraída devia primeiramente ser purificada, para depois ser levada até os edifícios. Nesse caso, foram conjuntos habitacionais, lojas, um supermercado, uma biblioteca e alguns escritórios. Abaixo dos próprios imóveis, pela trama do encanamento, corria a água levada para as máquinas que logo extraíam seu calor. Uma vez usada, era devolvida aos poços para que fosse aquecida novamente. A que estava acumulada a uma menor profundidade, e mais fria, foi usada de forma similar para a refrigeração.

A nova infraestrutura subterrânea foi sendo criada à medida que o projeto avançava, e este só poderia funcionar situado a uma distância segura das moradias e das próprias minas. O fornecimento urbano de calefação não podia ser cortado, e, em caso de dano, era preciso dispor de um sistema adicional do tipo convencional. O lugar escolhido em Heerlen cumpria os requisitos, com os edifícios situados entre a municipalidade e as duas antigas minas.

"Levando em conta que o problema da energia não pode ser resolvido com os combustíveis fósseis, o melhor é enfrentá-lo em escala local", apontam no conselho de Heerlen, que já busca a forma de dar ao experimento um caráter comercial. "A municipalidade não pode fornecer energia como se fosse uma empresa, e o subsídio da UE acabou. O ideal seria transformá-lo em uma empresa rentável, com clientes, que continuasse proporcionando energia limpa", dizem.

Os municípios de Zagorje (Eslovênia), Czeladz (Polônia) e Bourgas (Bulgária) estão experimentando sistemas similares. Na Espanha, a Associação de Comarcas Mineradoras trabalha em um programa de pesquisa sobre o assunto. De qualquer forma, por enquanto, a Islândia, com sua alta concentração de vulcões, lidera o uso de energia geotérmica mundial. Em 2006 ela a utilizou para 26,5% da eletricidade gerada.

Tradução: Lana Lim

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