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18/12/2009

Natascha Kampusch conta sequestro em documentário

El País
Juan Gómez Em Berlim
A jovem admite que sentiu "empatia" pelo sequestrador

Um vienense chamado Wolfgang Priklopil a sequestrou quando tinha 10 anos e a manteve encerrada durante oito em seu porão, onde abusou dela, a maltratou e humilhou. Quando ela finalmente escapou, em 2006, o sequestrador se suicidou. Agora a austríaca Natascha Kampusch apresenta na Alemanha um documentário sobre sua adolescência, que passou sepultada e "conservada como um faraó egípcio em vida".
  • Reprodução - 23.ago.2009

    Natascha Kampusch foi mantida refém durante oito anos, na Áustria. Em parceria com a tv estatal alemã, a jovem lança um documentário sobre os anos de horror que passou nas mãos do seqüestrador Wolfgang Priklopil, que se matou após a fuga da adolescente. A mídia austríaca acusa Natascha de buscar publicidade do caso


A jovem de 21 anos concedeu em Hamburgo sua primeira entrevista coletiva. Falou sobre o documentário e dos 3.069 dias que passou como prisioneira de Priklopil, cujo nome não pronuncia mas por quem reconhece que chegou a sentir "uma espécie de empatia, de compaixão" que lhe permitiam "perdoá-lo imediatamente" depois de cada abuso ou agressão. De outro modo teriam vencido "o ódio e os sentimentos negativos" que a "destruiriam física e psiquicamente".

O desejo de sobrevivência e os momentos "alegres", como quando tinha permissão para sair um pouco ao jardim, anularam seus pensamentos suicidas. Tanto que "no início" de sua nova vida em liberdade se surpreendia que as pessoas ficassem tão impressionadas pelas condições de seu sequestro. Aquele buraco, diz, "era minha casa". Também era "frio, úmido e repugnante".

Kampusch negou ter sido vítima de uma rede pedófila. Só conheceu seu sequestrador, que descreve como um obcecado pela higiene que lhe batia se deixasse alguma marca de dedos ou algum resto quando ia à residência de cima. Se chorava, ele a estrangulava e enfiava sua cabeça na pia para que não deixasse manchas de sal. Raspou sua cabeça para que não perdesse cabelos. No final, ela "preferia ficar no porão que em cima". Kampusch apresentou-se em Hamburgo com o roteirista e a diretora do documentário de 45 minutos, produzido pela televisão pública alemã NDR. Referiu-se às dificuldades de levar uma vida normal com o estigma de "ser uma vítima da violência".

Explicou que colabora com a televisão alemã porque na Áustria a tratam com "desconfiança e agressividade". As notícias sobre seu sofrimento foram banalizadas em seu país, onde "não deixam que o horrível seja horrível", e sim tentam torná-lo ainda pior. O jornal vienense "Die Presse" saiu em defesa da sociedade austríaca, acusando a "aborrecida" Kampusch de "buscar publicidade", enquanto "as outras crianças do sótão" (as vítimas de Josef Fritzl) preferem o anonimato.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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