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19/12/2009

Líder de oposição nega responsabilidade como "instigador moral" da agressão a Berlusconi

El País
Miguel Mora
Em Roma (Itália)
É o inimigo público número 1 do primeiro-ministro italiano. Como juiz liderou o macrojulgamento "Mãos Limpas", no início dos anos 1990, depois do qual Silvio Berlusconi chegou à arena política. Agora Antonio Di Pietro é o Pepito Grillo do país, um político irredutível e gritão, quase tão populista quanto seu modelo, geralmente carregado de razões. Com seus 8%, Di Pietro fustiga as tentativas de Berlusconi de "escapar da ação da justiça e destruir a Constituição e o Estado de direito", diz.

Antonio Di Pietro

  • Tiziana Fabi/AFP
Depois da agressão de domingo, foi indicado como instigador moral pela maioria. "É um jogo muito antigo, denunciar o que denuncia o mal. Não nos intimidarão com embustes", replica, tranquilo. "Nós somos os médicos que diagnosticam o mal, eles creem que eliminando o médico a doença morrerá."

Nota-se que o ex-juiz, de 59 anos, recebeu com preocupação a oferta do Povo da Liberdade (PDL) à oposição para compactuar com as reformas, isolando seu partido. Sabe que na frase de Berlusconi "os poucos que fomentam o ódio" ele é o primeiro. "Espero que o PD [Partido Democrático] não caia na chantagem de quem pretende eliminar a IDV [Itália dos Valores] para livrar-se dos problemas da justiça. Quando um país se dirige para a ditadura deve haver alguém que resista. Se nos eliminarem, a história dirá que fomos precursores."

Ele condena a agressão como um "fato reprovável e injustificável". "Mas a violência não pode servir para legitimar os ataques à Constituição nem para comprar o consenso a baixo preço", adverte. "O marketing da maioria para tirar vantagem política do ataque é patético."

Não acredita que é preciso reformar a Carta? "Não querem reformá-la, só querem distorcê-la para favorecer uma pessoa que viola a lei e se nega a submeter-se aos processos. Se há raiva, mal-estar e protestos no país, é culpa de um governo que privilegia os evasores, os malandros, os criminosos, e deixa de lado milhões de famílias que não chegam ao fim do mês."

Crítico outras vezes com o chefe de Estado, Giorgio Napolitano, Di Pietro acredita que "neste momento o único ponto de referência do país é o presidente da República". Além disso, "a Itália precisa acabar com essa casta política em grande parte corrupta e em outra parte espectadora pirata da deterioração da democracia", explica.

"É preciso uma nova classe política, uma nova ética", conclui. "Fora do país damos uma imagem entre o terrível e o ridículo. Somos o paraíso da ilegalidade. Devemos voltar ao bom governo e o respeito às regras e às instituições. Se continuarmos fazendo a lei ao mesmo tempo que a baderna não haverá nada a fazer."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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