UOL Notícias Internacional
 

19/12/2009

No México, bucaremos aproximar posição de ricos e pobres sobre o clima, diz chefe da próxima cúpula

El País
Rafael Mendez
Enviado especial a Copenhague (Dinamarca)
O secretário do Meio Ambiente do México, Juan Rafael Elvira (nascido na Cidade do México em 1958) tem a difícil tarefa de presidir a próxima Cúpula do Clima em 2010. Um ano atrás, quando o país pediu para abrigar a cúpula, não podia imaginar que a reunião seria tão decisiva. Como Copenhague adiou as decisões chaves, Elvira se transforma em um personagem relevante, já que em novembro - é difícil que seja antecipada para junho, como querem alguns países - dirigirá a negociação. A entrevista ocorreu na primeira hora da tarde de ontem, quando a negociação pendia de um fio e só estava claro que, mesmo que se chegasse a um acordo, não seria definitivo. Diante da decepção no ambiente, Elvira opta pela prudência.

El País: Por que o México pediu a Cúpula do Clima que deve desenvolver o Acordo de Copenhague?
Juan Rafael Elvira:
O México é um país com baixas emissões, que procura cumprir metas nacionais e internacionais, que procura cumprir as exigências do Protocolo de Kioto. É um país que sabe e vive o que sentem os países em desenvolvimento e os menos desenvolvidos. Mas também é um país com uma economia sólida, está entre as 15 primeiras do mundo, e que pode entender o que isto significa para os interesses do mundo desenvolvido. É um país neutro onde países desenvolvidos e em desenvolvimento podem se sentir bem e promover o acordo.

El País: A brecha entre países ricos e pobres parece insolúvel.
Elvira:
No México buscaremos a aproximação.

El País: Será em seis meses ou em um ano?
Elvira:
A data dependerá de muitos fatores. Queremos buscar um evento que reúna as condições de negociação prévias para poder chegar a um resultado frutífero positivo, claro.

El País: Refere-se a um tratado vinculatório?
Elvira:
Não se devem adiantar as vésperas, como dizemos no México.

El País: Mas tentarão conseguir um tratado vinculatório.
Elvira:
Isso seria o mais importante, mas dependerá muito do resultado de Copenhague.

El País: Como as partes estão distantes, é realista pensar que em um ano possa haver um acordo completo?
Elvira:
A reunião na madrugada [de ontem] demonstra a vocação e a disposição dos líderes e das autoridades máximas de países chaves na negociação. É um elemento totalmente novo, diferente e histórico.

El País: Mas não parece que a presença de todos os líderes tenha facilitado o acordo.
Elvira:
Em um assunto tão intenso quanto a mudança climática, com a entrada dos chefes de Estado estamos tirando pedras do caminho.

El País: Quando pediram a Cúpula do Clima para 2010 pensavam que seria tranquila.
Elvira:
O presidente Calderón diz que ao dirigir um país não se é somente o dono do timão de um barco, mas que é preciso prever o tipo de tormentas que pode haver na travessia.

El País: As ONGs temem que lhes restrinjam o acesso, como aconteceu aqui.
Elvira:
O México sempre atendeu ao trabalho das ONGs. Na secretaria de Meio Ambiente temos um conselho consultivo com as ONGs que foi considerado pela ONU o melhor da América Latina, mas também temos de dar espaço para as partes, os países.

El País: Esperam um Tratado do México do qual se fale durante 20 anos?
Elvira:
Não se deve pensar nisso, e sim em conseguir uma negociação clara, sensata e equilibrada, onde todos sejam escutados. E trataremos de que o resultado seja o melhor. Que seja útil para o planeta, para os países ricos e os menos desenvolvidos.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,28
    3,182
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,29
    64.676,55
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host