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22/12/2009

A saúde dos espanhóis: O índice de fumantes aumenta 7%, apesar da lei antifumo

El País
Emilio de Benito
Em Madri
Se um dos objetivos da lei antifumo que entrou em vigor na Espanha em 1º de janeiro de 2006 era reduzir o número de fumantes, fracassou. Os dados da Pesquisa Europeia de Saúde 2009 que o Instituto Nacional de Estatísticas apresentou nesta segunda-feira mostram que, desde que se proibiu o consumo de tabaco em todos os locais de trabalho fechados e se deu a possibilidade de que os lugares de lazer também restringissem o fumo, a proporção de pessoas que se declaram fumantes (habituais ou ocasionais) aumentou 6,68% (de 29,5% para 31,5% dos maiores de 16 anos). Esse aumento reflete que limitar o consumo de tabaco não foi suficientemente eficaz para que as pessoas parassem de fumar.

A lei de 2006 não era uma proibição total: concentrava-se nos locais de trabalho, mas deixava a opção em aberto para os lugares de lazer. Assim, os bares e restaurantes com menos de 100 metros quadrados de superfície útil podiam decidir se queriam ser espaços livres de fumaça ou não, e os maiores podiam deixar que se fumasse em 30% de sua superfície, sempre que a isolassem adequadamente.

O aumento de fumantes coincide com o de maços de cigarro vendidos. Este índice estava em declínio desde antes da entrada em vigor da lei (foram 4,6 milhões em 2005 e baixaram para 4,45 milhões em 2007), mas então começou a se recuperar. O curioso é que nos primeiros meses deste ano voltou a cair (9% segundo os dados do Comissariado Nacional do Mercado de Tabacos), mas os especialistas não acreditam que se trate apenas da hipótese de que os espanhóis fumem menos, mas de um reflexo da crise, tanto nacional como internacional, já que uma parte importante das vendas está associada aos estrangeiros que compram tabaco na Espanha porque é mais barato.

Para Ángeles Planchuelo, presidente da Comissão Nacional de Prevenção do Tabagismo, os dados não são uma surpresa. "Coincidem com os nossos e indicam que é preciso avançar na lei", afirma. Planchuelo admite que um estudo da Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica feito em 2006 calculava que um milhão de pessoas haviam deixado de fumar.

"Mas esse efeito parece que passou", admite. Ela acredita que se deve ao fato de que como a restrição não é total não é eficaz para desanimar os novos fumantes. "Isto é especialmente importante nas crianças e adolescentes. Se eles veem que nos lugares de lazer se pode fumar, assumem como algo normal; é um processo especular", indica a médica. "Por outro lado, se a proibição fosse total (em todos os lugares públicos fechados), o impacto seria muito maior. É o que se viu em outros países. Porque além disso esse efeito seria muito notado nos lares."

Esse é exatamente um dos aspectos destacados pelo Instituto Nacional de Estatísticas em seu relatório: um terço das crianças é submetida à fumaça do tabaco em casa, porque seus pais fumam diante delas. O aspecto do fumo nos locais de lazer será a pedra angular da nova reforma proposta pelo Ministério da Saúde. O rascunho ainda não foi debatido pelo Conselho de Ministros nem enviado ao Congresso, mas já se conhecem suas linhas mestras: proibição total de fumar em lugares públicos fechados, mas será permitido que os bares continuem vendendo tabaco. Esta é a concessão que o Executivo fez para acalmar os ânimos dos hoteleiros, que não veem a proibição com bons olhos.

A Federação Espanhola de Hotelaria e Restauração afirma que a futura lei, somada à crise, causará grandes prejuízos à indústria, que calcula em 11 bilhões de euros. Algumas organizações e sindicatos reclamam inclusive subvenções à Saúde, coisa que o ministério por enquanto descarta. Atualmente só 40 mil dos mais de 350 mil lugares de lazer que há na Espanha são livres de fumaça ou têm espaços para não fumantes.

Em países como Irlanda ou Itália, onde a proibição é total, a indústria não se ressentiu. Uma porta-voz da Saúde indicou que a lei já foi debatida com os porta-vozes parlamentares. Espera-se que o projeto chegue às Cortes em fevereiro para que seja aprovado em junho, coincidindo com o final da presidência espanhola da União Europeia.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves Um em cada três maiores de 16 anos consome tabaco diária ou ocasionalmente

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