UOL Notícias Internacional
 

22/12/2009

Um em cada três espanhóis tem uma imagem ruim da América Latina

El País
Javier Lafuente
Em Madri
Um em cada três espanhóis, 33% dos cidadãos, tem uma imagem ruim ou muito ruim da América Latina. É o que constata o barômetro anual da Fundação Carolina e do Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS na sigla em espanhol), apresentado na segunda-feira em Madri. A secretária de Estado de Cooperação Internacional, Soraya Rodríguez, argumentou que o espanhol percebe uma enorme desigualdade entre ricos e pobres na América Latina. "Fica difícil compreender que, apesar de ter conseguido bons dados macroeconômicos em meio à crise financeira, as desigualdades continuem tão grandes. É preciso uma mudança das políticas de redistribuição das riquezas por parte dos governos", salientou Rodríguez.

Além do raciocínio oficial, é evidente que o desvio que alguns países tomaram --especialmente os da ala bolivariana, encabeçados pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez-- também influi nessa percepção em um setor da população espanhola.

Além da imagem negativa, observa-se na pesquisa um certo deslocamento do interesse dos espanhóis para a região, em detrimento dos EUA. A chegada de Barack Obama à Casa Branca, e em geral todo o processo eleitoral, são os principais argumentos desse crescente interesse. A secretária de Estado não considerou que se trate de um dado preocupante. "É lógico, os EUA estão presentes em todas as decisões que se tomam, seus assuntos têm um interesse de escala planetária." A União Europeia continua ocupando o principal foco de interesse nos assuntos internacionais.

Onde a Espanha tem realmente mais relevância que os EUA é na ajuda que destina ao desenvolvimento da América Latina. A Espanha se consolidará no final deste ano como primeiro doador da região. Embora pudesse aumentar, a cifra aproximada que a Secretaria de Cooperação destina hoje é de 1,4 bilhão de euros, mais que o 1 bilhão anunciado pelos EUA. No ano passado, Madri destinou 1,369 bilhão, contra 1,297 bilhão de Washington. O Fundo da Água, um projeto espanhol ligado à melhora desse líquido e ao saneamento para ajudar os países latino-americanos, é uma das principais razões dessa consolidação.

Os dados positivos, porém, não andam junto com a percepção dos cidadãos. O barômetro constata que 71% dos espanhóis concordam que se deve cooperar, embora haja uma certa tendência para baixo de se levar em conta que essa porcentagem em 2005 era de 84%. Além disso, os espanhóis preferem claramente (69%) garantir seu próprio bem-estar antes de ajudar os países menos desenvolvidos (29%). Ainda mais paradoxal é que, apesar de estarem convencidos de que a ajuda ao desenvolvimento é importante, o ceticismo sobre a utilidade dessa ajuda é preocupante: 58% acreditam que serve de pouco ou nada, enquanto só 35% creem que a cooperação ajuda muito ou bastante a resolver os problemas.

Apesar disso, a secretária de Estado quis salientar a "solidariedade e o compromisso" dos espanhóis, que continuam a favor de que 0,7% do PIB seja destinado à cooperação e que inclusive em tempos de crise quase a metade da população (45%) seja favorável à manutenção dos recursos destinados à ajuda ao desenvolvimento. No entanto, os partidários de reduzir esse montante passaram em um ano de 21% para 29%, o que Rodríguez admitiu que se deve evitar.

Sobre a imagem que as empresas espanholas têm na região, a opinião geral é que sua atuação favorece a imagem do país. No entanto, o barômetro constata algo alarmante: 44% da população acreditam que as empresas atuam com menor grau de responsabilidade social e ambiental na América Latina do que na Espanha. Soraya Rodríguez animou a trabalhar nesse sentido, já que "tendo melhorado as relações das empresas, a percepção da cidadania não mudou".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
A Espanha se consolida como primeiro doador da região, à frente dos EUA

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