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25/12/2009

Indignação no México pela sangrenta vingança do narcotráfico

El País
Salvador Camarena No México
Uma onda de indignação se desencadeou em todo o México por causa da vingança do narcotráfico contra a família do soldado da Marinha Melquisedet Angulo Córdova, única baixa das forças militares no confronto da semana passada em Cuernavaca, no qual morreram o narcotraficante Arturo Beltrán Leyva e seis de seus cúmplices.

As autoridades do Estado de Tabasco informaram na quarta-feira sobre a prisão de supostos membros do cartel dos Beltrán Leyva vinculados à matança, que acabou com a vida da mãe, da tia e dos irmãos do militar - outra irmã está internada com estado de saúde não divulgado. Ambos os suspeitos foram transferidos a instalações militares junto com as armas e veículos apreendidos.

Na cena do crime foram recolhidos dezenas de cartuchos de fuzis de assalto R-15 e AK-47. Os investigadores suspeitam que o crime tenha sido cometido por Los Zetas, um cartel extremamente violento, aliado ao dos Beltrán Leyva e que opera em Tabasco. O caso ficará a cargo da Procuradoria - promotoria - Geral da República, segundo anunciou Fernando Gómez Mont, titular da Secretaria de Governo - Ministério do Interior.

Os analistas mexicanos questionam agora se o governo subestimou a reação dos delinquentes e se a vingança se deve só à morte do chefe do narcotráfico ou foi desencadeada pela posterior manipulação de seu cadáver, que foi fotografado coberto de cédulas. A opinião pública também se questiona em que medida os meios de comunicação contribuíram para a tragédia ao divulgar nomes e fotos dos familiares que participaram no funeral do soldado da Marinha, que foi sepultado apenas oito horas antes que um grupo de assassinos perpetrasse a matança à meia-noite.

Até 15 de setembro de 2008, quando em plena festividade cívica da independência mexicana, grupos criminais lançaram granadas contra a multidão reunida numa praça de Morelia, no Estado de Michoacán, causando a morte de oito pessoas, os diferentes cartéis se limitavam a atacar seus rivais e as forças de segurança, mas nunca a população civil. Com os assassinatos dos familiares do soldado da Marinha, os mexicanos se perguntam se já não estão enfrentando uma ameaça de terrorismo indiscriminado. O Congresso e a Igreja católica pediram para que o governo do presidente Felipe Calderón não baixe a guarda.

(Na noite de terça-feira, um grupo de narcotraficantes atacou com granadas um tribunal, uma base aérea, um centro municipal em Ciudad Obregón - Estado de Sonora, norte do México - em vingança pela morte do chefe do tráfico Beltrán Leyva, informa a agência EFE. Os agressores só causaram danos materiais.)

Tradução: Eloise De Vylder

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