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30/12/2009

Pesquisa mostra espanhóis satisfeitos com sexualidade, mas homens querem maior frequência

El País
Para o estudo foram realizadas 10 mil entrevistas. Todos, homens (86%) e mulheres (78%), consideram necessárias as relações sexuais para seu equilíbrio pessoal. Um terço dos homens recorreu alguma vez à prostituição

Os espanhóis estão satisfeitos com sua sexualidade. A grande maioria considera o sexo um elemento fundamental de sua vida. Mas essa satisfação tem exceções.

Os homens, por exemplo, gostariam de ter relações mais frequentes. A primeira Pesquisa Nacional sobre Saúde Sexual, elaborada pelo Observatório de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde e o Centro de Pesquisas Sociológicas (CIS na sigla em espanhol), que analisa dados como a frequência das relações ou os métodos anticoncepcionais utilizados, também mostra outras variáveis que até agora não haviam sido medidas. Dados que mostram, por exemplo, que os papéis entre os sexos continuam vivos.

O estudo, realizado através de 10 mil entrevistas pessoais com mulheres e homens a partir de 16 anos, revela que enquanto as mulheres têm suas primeiras relações com seu parceiro estável (85,6%) essa porcentagem é de apenas 46% entre os homens. Persiste, portanto, um modelo em que as garotas depositam maior carga emocional no sexo do que os rapazes.

Motivos. A pesquisa levanta quatro motivos possíveis para que uma pessoa decida fazer sexo: amar e ser amado (39%), a necessidade de unir-se e relacionar-se com outra pessoa (23,6%), desejo sexual (14%) ou para ter descendência (10%). Mas há grandes diferenças entre os sexos. A primeira opção é a escolhida por 45,5% dos homens, mas só por 32% das mulheres. Ao contrário, o desejo é mencionado por 19,7% dos homens e 8% das mulheres.

Curiosamente, na segunda categoria (unir-se e relacionar-se com outra pessoa) essa diferença desaparece: ela é escolhida exatamente por 23,6% das pessoas, independentemente de seu sexo. "Continua persistindo que nas mulheres a sexualidade está mais relacionada ao amor romântico, às relações sexuais e à reprodução (tanto querê-la como evitá-la). No entanto, no caso dos homens o principal é a sexualidade em si. Os homens estão muito mais abertos para as relações esporádicas", afirma Concha Colomer, diretora do Observatório de Saúde da Mulher.

"Isto que parece clássico continua existindo e é preciso trabalhar com educação e formação para rompê-lo e conseguir um equilíbrio. Que as mulheres possam ter uma sexualidade boa sem que tenha de ser amor romântico, e que os homens valorizem mais a parte dos sentimentos", acrescenta.

Anticoncepcionais. Na Espanha, o número de gravidezes indesejadas e de abortos não para de aumentar. Revisando a pesquisa, destaca-se que cerca de 40% dos espanhóis não usaram qualquer proteção para prevenir uma gravidez em sua primeira relação sexual. "A não-utilização de métodos anticoncepcionais melhora com a idade. São principalmente os maiores de 55 anos que, em uma porcentagem de 40% em diante, não usaram nessa primeira vez métodos como a camisinha", explica Colomer. No caso dos jovens essa porcentagem diminui para 15%, que apesar de tudo continua sendo importante.

Preocupa, no entanto, que o uso de meios para evitar um possível contágio de doenças sexualmente transmissíveis como a Aids é ainda menor nessas primeiras relações do que para evitar a gravidez: 44% dos espanhóis não utilizaram nenhum método. A pesquisa revela um dado curioso: as mulheres decidem mais que os homens que método utilizar e quando.

Frequência. Sessenta e cinco por cento dos homens e 66,3% das mulheres mantêm relações a cada dois ou três dias ou uma vez por semana. Só 3,3% dos homens e 3,7% das mulheres o faz diariamente; 14,3% dos homens e 13% das mulheres mantêm relações uma vez a cada duas ou três semanas. Nem todos os espanhóis se conformam com a frequência com que têm sexo. Em geral, a maioria dos homens, 45%, gostaria de ter relações sexuais mais habitualmente. Uma porcentagem que no entanto é apenas de 23,6% no caso das mulheres. A maioria delas, 55,8%, afirma que gostaria de manter a frequência com que o faz.

Falta de sexo. O número de mulheres que não têm relações sexuais é maior que o dos homens. Dos que não mantiveram relações sexuais nos últimos 12 meses, 21% foram mulheres e só 12,85%, homens. Mas o motivo majoritário dado pelas mulheres é que ficaram viúvas. No caso dos homens a causa mais citada é a falta de desejo (15%).

Satisfação. É o dado que mais surpreendeu a diretora do Observatório de Saúde da Mulher. A maioria dos espanhóis - 88,2% dos homens e 83,6% das mulheres - está satisfeita com sua vida sexual. A insatisfação ocorre mais no caso das mulheres: 4,6% delas afirmam estar bastante ou muito insatisfeitas. A pesquisa revela que a satisfação é maior com suas relações estáveis, 84,2% dos homens e 80,3% das mulheres dizem sentir-se muito ou bastante satisfeitos.

Informação sexual. Para a maioria dos espanhóis, seria bom ter mais informação sobre sexo: 27,4% dos homens e 31,3% das mulheres creem que a informação sobre sexualidade que têm é regular ou muito ruim. Sentem falta sobretudo de mais informação sobre prevenção de infecções e doenças sexuais e sobre métodos anticoncepcionais. Mas as formas de obter e dar prazer ao parceiro também preocupam: 30,5% dos homens e 25,9% das mulheres gostariam de ter tido mais informação sobre o assunto. "Interessam enormemente os temas relacionados a dar prazer, a como relacionar-se. Aspectos que tradicionalmente foram pouco tocados", explica Colomer. Uma variável interessante, ao contrário do que se pensou tradicionalmente, as fontes de informação preferidas são a mãe (58,3% das mulheres) e o pai (35,6% dos homens).

Preocupação com o equilíbrio pessoal. A maioria dos espanhóis (86,3% dos homens e 78,4% das mulheres) considera a sexualidade necessária para o equilíbrio pessoal. Como tal, preocupa, mas quando se pede que expliquem as causas de sua preocupação, tornam-se mais prosaicos: para os homens, as duas primeiras causas são não ter uma parceira (24,6%) ou a inexperiência (22,8%). Entre as mulheres ganham de forma destacada a falta de apetite sexual (27,1%) e também a inexperiência (20,9%). Em todo caso, menos de 40% buscaram ajuda.

Prostituição. Um terço dos homens (32%) pagou pelo menos uma vez na vida para manter relações sexuais. Esse grupo se divide entre os que o fizeram só uma vez (10,1%) e os que o fizeram duas ou mais vezes (19,9%). A porcentagem entre as mulheres é de 0,3%. A imensa maioria dos homens (92,3%) já pagou a uma mulher. Em troca, entre a reduzida porcentagem de mulheres que afirmam ter recorrido à prostituição, as preferências estão muito mais divididas: 42,9% pagaram a um homem, mas 21,4% o fizeram a outra mulher. Chama a atenção que a porcentagem das que não especificam é de 21,4%.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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