UOL Notícias Internacional
 

05/01/2010

Cooperação reduzida entre países favorece sucesso do terrorismo no Saara

El País
I. Cembrero
Em Madri (Espanha)
Wolfgang Ebner, o refém austríaco sequestrado junto com sua mulher em 22 de fevereiro de 2008 no sudoeste da Tunísia, acredita que foi vítima da Al Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI), mas também da falta de cooperação entre os países da região.

Durante seus oito meses de cativeiro no norte de Mali, soube, através das confidências de alguns de seus carcereiros, que a caravana de veículos, com 21 homens a bordo, que o prendeu no deserto da Tunísia, na realidade fugia da Argélia, onde um helicóptero militar lhe havia infligido sete baixas. Militares e serviços secretos da Tunísia e da Argélia falam pouco entre si, e por isso as forças de segurança tunisianas ignoravam a incursão em seu território dos terroristas argelinos e não haviam se mobilizado para tentar detê-los.

Se a AQMI cresceu além das fronteiras argelinas três anos depois de sua fundação, em janeiro de 2007, é em boa medida graças à falta de colaboração entre os países do Magreb, entre estes e os do Sahel e também, em certa medida, com os da Europa meridional. "A cooperação antiterrorista está a anos-luz da que realizamos entre os europeus", comenta um policial espanhol destacado em uma embaixada no Magreb. A primeira razão do mau funcionamento da cooperação chama-se Saara Ocidental, a antiga colônia espanhola disputada pelo Marrocos e a Frente Polisário, com o apoio da Argélia. Essa é a principal disputa entre os dois pesos-pesados do Magreb e repercute no conjunto da relação que eles mantêm.

Ao fim de seu giro pelo Magreb, em setembro de 2008, a então secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse sem rodeios: a ausência de cooperação "é um problema que foi relevante no Magreb". "É importante que Rabat e Argel troquem informações por causa dos perigos que ambos enfrentam." Desde então a situação não melhorou.

A Argélia se considera a mais prejudicada pela extorsão, através dos sequestros, a que a Al Qaeda submete os governos ocidentais. Por isso tentou primeiro, com certo êxito, apaziguar a rebelião tuaregue no norte de Mali e depois implementar uma coordenação incipiente entre seu volumoso exército e as limitadas forças armadas da Mauritânia, do Mali e de Níger. Até meados deste ano não a havia. "Confesso que estamos [no que se refere à cooperação] em um nível mais teórico que prático", reconheceu o presidente maliense, Amadou Toumani Touré.

Em meados de agosto passado, os chefes de Estado Maior desses quatro países se reuniram pela primeira vez em Tamanrasset, sul da Argélia. Em setembro realizou-se em Argel um segundo encontro mais funcional. A Frente Polisário, que controla uma faixa do Saara fronteiriça com a Mauritânia, esteve associada às reuniões. Marrocos e Líbia, no entanto, foram afastados. "Argel quer se impor como a única locomotiva no combate ao terrorismo", escreveu em agosto o jornal "Le Soir", de Casablanca. "Os países que podem fazer sombra a sua liderança foram excluídos", lamentou.

Argel também rejeitou a presença dos EUA, que solicitou enviar a Tamanrasset uma delegação do Africom, o comando do Pentágono para a África. O nacionalismo argelino também não quis que a França, antiga potência colonial, se envolvesse. Paris queria que seus aviões de observação percorressem o deserto em busca de terroristas.

A sua maneira, o ministro adjunto das Relações Exteriores da Argélia, Abdelkader Messahel, explicou assim em uma entrevista à imprensa de seu país a rejeição de Argel: "Só penso que é importante salientar que o futuro da região diz respeito aos países que a integram". "Temos os meios e as capacidades necessários para isso."

Mali, em cujo norte estão situados os santuários da Al Qaeda, não as tem. Para reforçar seu exército, a Argélia começou enviando por via aérea material militar em maio passado. França, Espanha e Alemanha também fizeram contribuições. Mas o país que realmente influiu foram os EUA, que concederam uma ajuda de 3,5 milhões de euros, equivalentes a 7,2% do orçamento militar de Mali.

Seus boinas-verdes também treinam os soldados malienses em uma base em Gao. Essa ajuda se insere na Trans Sahel Conter Terrorism Initiative, implementada em 2005 e cujo orçamento não para de aumentar.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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