UOL Notícias Internacional
 

06/01/2010

Quando voar é um tormento

El País
D. Alandete e R. M. de Rituerto
Quietos em seus assentos!

As novas normas para viajar para os EUA são um presságio do que se aproxima


Luta antiterror

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta terça-feira (5) que a segurança contra terrorismo nos Estados Unidos precisa "melhorar"

O atentado fracassado contra um avião com destino a Detroit (Michigan) no último dia de Natal acabou gerando atrasos nos voos e numerosos incômodos para os passageiros do mundo inteiro. As pessoas que chegaram aos EUA nos últimos dias tiveram de se submeter às medidas de segurança habituais - escaneamento da bagagem, passagem por um arco detector de metais e uma breve entrevista com um agente de segurança das companhias aéreas - e, como novidade, a uma nova inspeção e uma segunda revista manual exaustiva de suas malas antes de embarcar em seu país de origem.

Essas novas revistas geram longas filas no embarque e atrasos de, no mínimo, uma hora na saída prevista dos voos. A UE, que justamente agora havia decidido relaxar os controles de porte de líquidos nas aeronaves, vai estudar o incidente protagonizado pelo nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab para reformular as medidas de segurança a serem aplicadas.

Entenda como funciona o scanner corporal



As principais mudanças na segurança, entretanto, afetam a viagem em si. Durante a última hora do trajeto, os passageiros deverão permanecer sentados, com os cinturões afivelados, os dispositivos eletrônicos - como reprodutores de MP3 ou computadores - desligados e todos os seus pertences guardados nos compartimentos superiores do avião. Durante esses 60 minutos, nenhum passageiro terá permissão para se levantar, nem mesmo para usar os banheiros. Também não se permite ter qualquer objeto, como um livro ou uma revista, entre as mãos ou no colo, ou usar mantas ou travesseiros de viagem. Além disso, as companhias aéreas não mostram mais mapas com o trajeto que o avião efetua, para assim evitar que os passageiros possam identificar quando está sobrevoando uma cidade ou um ponto em terra que possa ser objeto de um ataque.

Washington não esclareceu se todos esses dispositivos implementados no último dia 27 de dezembro serão mantidos para sempre. Por enquanto, a agência americana encarregada da segurança nos aeroportos limitou-se a confirmar que haverá diferentes medidas em diferentes aeroportos, escolhidas de forma totalmente aleatória. A única recomendação aos viajantes é que se apresentem no aeroporto com tempo suficiente antes da hora prevista para o embarque.

Além disso, Washington anunciou na última terça-feira que está considerando a instalação de scanners de corpo inteiro para detectar a presença de explosivos em qualquer parte da anatomia dos passageiros.

Na UE foi recebida com estupefação a notícia da tentativa de atentado de Abdulmutallab, como reconheceu em um comunicado o vice-presidente da Comissão, Jacques Barrot. "Estou horrorizado", confessou o atual responsável por Justiça, Liberdade e Segurança, e antes pelos Transportes. "Este incidente prova mais uma vez que é preciso estar em constante alerta e vigilantes na luta contra o terror."

A tentativa do estudante nigeriano ocorre justamente quando a UE havia decidido relaxar as medidas de controle na introdução de líquidos nos aviões, depois que a Comissão optou há meses por deixar no limbo sua opinião sobre a instalação nos aeroportos dos polêmicos scanners que desnudam os viajantes. O Comitê de Trabalho de Segurança Aérea, um grupo de especialistas dos diferentes países da UE, deverá se reunir nos próximos dias em Bruxelas para analisar o atentado frustrado protagonizado pelo nigeriano e para identificar as deficiências de um sistema que até agora era considerado confiável, embora não impenetrável.

O ataque falido ao voo 253 da companhia Northwest inverteu a situação e agora chegam as urgências. A Holanda foi o primeiro país a anunciar que recorrerá aos scanners que utilizam raios-X. "Dentro de três semanas estaremos usando esses aparelhos, cerca de 15 ao todo, nos voos para os EUA", anunciou na semana passada Guusje ter Horst, ministro do Interior da Holanda, cujo aeroporto Schiphol, onde Abdulmutallab embarcou rumo a Detroit, utilizava pouco esses aparelhos porque são de uso voluntário e só os viajantes mais intrépidos se sacrificam no altar das novas tecnologias, o que para a imensa maioria é o direito irrenunciável à privacidade e a não correr riscos gratuitos para sua saúde.

Saiba quais são as etapas de controle sobre passageiros nos aeroportos



E a Holanda define a pauta. O ministro do interior britânico, Alan Johnson, a apoia: "Queremos estar na vanguarda dessas novas tecnologias e vamos aplicá-las o quanto antes". Em Berlim, Thomas de Maiziere une-se a seus colegas, desde que nos scanners sejam esfumados os detalhes íntimos das pessoas e perfeitamente reconhecíveis os potenciais objetos suspeitos. A Holanda vai utilizar esses aparelhos de última geração só nos voos com destino aos EUA, à espera da decisão comunitária. Um porta-voz da Comissão Europeia afirma que "aplicar os scanners é uma decisão de cada país; a Comissão não pode impedi-lo".

Os controles vigentes até agora eram considerados relativamente confiáveis, e o Comitê de Segurança Aérea havia proposto flexibilizar as medidas de restrição de líquidos em abril próximo, quando, na perspectiva de 2006, se previa que a tecnologia permitiria detectar com eficácia os líquidos perigosos.

A tecnologia avançou menos que o esperado - é o que alegam os peritos comunitários, ao contrário de outros especialistas - e por isso o procedimento de controle vigente (uma sacola transparente com capacidade de 1 litro na qual se introduz recipientes com líquidos e semelhantes em unidades não superiores a 100 ml) continuará válido até 2013, segundo decidiu o comitê. Mas, acompanhado de uma relação aprovada pelo próprio comitê, e dependente da aprovação pelo Parlamento Europeu, que consiste em permitir que a partir de abril de 2011 possam ser introduzidos como bagagem de mão nos aviões líquidos adquiridos pelos viajantes nas lojas livres de impostos dos aeroportos não comunitários, algo até agora proibido.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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