UOL Notícias Internacional
 

12/01/2010

Obama e o terror

El País
O presidente americano aceita o desafio da Al Qaeda, mas se nega a reduzir as liberdades

  • Justin Lane/EFE

    Passageiros passam por controle de segurança no aeroporto de Newark (EUA), que foi interditado no dia 3/1 depois que, segundo a CNN, um homem entrou pelo lado errado do posto de controle sem ser revistado, o que fez os alarmes tocarem

  • ABC News/AFP

    Cueca usada pelo nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab, que tentou explodir um voo que se preparava para aterrissar em Detroit, no dia de Natal. Abdulmutallab teria tentado acionar um artefato contendo um alto explosivo, mas o processo não se completou e o homem foi contido

O desafio do terrorismo jihadista e os debates sobre a melhor maneira de enfrentá-lo voltaram à cena política americana depois do atentado fracassado de Detroit e do início dos trâmites para julgar seu autor, o nigeriano Umar Faruk Abdumutallab. Enquanto alguns dirigentes republicanos, seguindo o vice-presidente Cheney, acusam Obama de se negar a reconhecer que os EUA estão em guerra contra o terrorismo, este respondeu assumindo a responsabilidade na luta contra um inimigo concreto, a Al Qaeda, e recusando-se a reduzir as liberdades dos americanos. Isto é, seguindo o caminho oposto ao do governo Bush, que transferiu para os serviços secretos as acusações pelas notícias falsas sobre as armas de destruição em massa no Iraque e utilizou a ameaça terrorista para favorecer uma involução do sistema político e jurídico americano.

A principal razão pela qual, aproveitando o que aconteceu em Detroit, Cheney e alguns republicanos desejam arrastar Obama para a estratégia antiterrorista anterior não é sua suposta eficácia, mas a validação dos abusos que necessariamente representa e que o governo Bush não duvidou em cometer. Trata-se de proclamar a própria inocência pela via de fazer que todos sejam culpados, eximindo-se do custo que os EUA e o resto do mundo têm de pagar ainda hoje pelo erro da "guerra contra o terror" como resposta às matanças jihadistas.

No balanço humano, esse custo se situa em milhares de mortos e, no político, colocou os EUA na situação militar mais comprometida desde o final da guerra fria, ao ter deteriorado gravemente sua capacidade de dissuasão convencional em guerras que, como as do Iraque ou Afeganistão, não pode perder mas também não sabe como ganhar. Nessas condições, abrir uma terceira frente no Iêmen seria como continuar avançando em direção à derrota.

A possibilidade, felizmente fracassada, de que um suicida atentasse em Detroit nada teve a ver com as decisões adotadas por Obama em relação às guerras herdadas de Bush, e sim com falhas nos sistemas e procedimentos de segurança nos aeroportos e fronteiras internacionais. São esses sistemas e procedimentos, e não as decisões sobre Iraque e Afeganistão, que ficaram em dúvida e que Obama deu ordem de revisar. Com essa resposta, o presidente americano não terá encerrado o debate sobre a melhor forma de enfrentar o terrorismo jihadista, mas terá demonstrado que continuam existindo pelo menos duas posições diferentes nesse debate, a sua e a dos partidários de retomar a estratégia da "guerra contra o terror". A verdade é que nem uma nem outra podem oferecer garantias de que não ocorrerão atentados. Mas o que torna preferível a estratégia de Obama é que não continua dilapidando a dissuasão convencional dos EUA, ao mesmo tempo que preserva a natureza democrática de seu sistema político.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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