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15/01/2010

Anticiclone no Ártico inverte a temperatura no hemisfério norte

El País
Rafael Méndez Em Madri
Nas últimas semanas nevou em Sevilha e na Flórida. Todo o hemisfério norte está mergulhado em um frio extremo, acompanhado de chuvas abundantes. Todo? Não. Enquanto as agências de meteorologia do Ocidente vasculham seus arquivos em busca de precedentes tão frios, a Groenlândia e o Alasca passam um inverno extremamente suave - para a latitude e essa temporada, é claro. O sistema de anticiclones e tempestades conhecido como oscilação ártica, que faz com que normalmente os ventos árticos se mantenham em latitudes razoáveis, se inverteu nesta temporada e o fenômeno é responsável pelo fato de a meseta espanhola parecer a Sibéria.

O inverno no hemisfério norte varia normalmente em função da oscilação ártica. O catedrático de Física da Terra da Universidade de Castela-La Mancha, Manuel de Castro, explica como funciona: "O padrão médio da circulação do ar de oeste para leste nas camadas médias e altas da atmosfera entre as latitudes subtropicais e árticas oscila sucessivamente entre duas fases, chamadas quente e fria".

  • Wu Hong/EFE

    Ciclistas têm dificuldade de praticar o esporte com o frio que atinge Yantai, na China



Na fase quente, o ar circula de oeste para leste de forma paralela ao Equador. As baixas pressões no Ártico e o anticiclone em latitudes intermediárias mantêm nos limites os ventos do Ártico, que pouco baixam na Europa ou na América do Norte.

No entanto, às vezes a situação se inverte e o hemisfério norte passa à "fase fria": no Ártico se instala um anticiclone e no Atlântico uma tempestade. Nesse caso, "as trajetórias do ar têm uma forma muito ondulada, já que as anomalias de pressão apresentam uma conjunção contrária à da fase anterior, o que facilita a penetração de massas de ar muito frio até o sul e de ar quente até zonas mais setentrionais", acrescenta o catedrático.

Isso é o que aconteceu desde dezembro. As anomalias de temperatura em dezembro medidas pela Nasa mostram que a Groenlândia ou o Alasca têm até 10 graus acima do que seria normal nesta época, enquanto a América do Norte e a Europa sofrem até 10 graus a menos. É como se o ar ártico tivesse descido por dois ramais, envolvendo o hemisfério.

É claro que isso já havia acontecido antes e se alterna durante semanas ou meses. O que é incomum é a força e a duração da fase fria, já que o índice que mede a oscilação ártica não dava um período tão negativo desde 1950. Castro salienta que "a origem desse tipo de comportamento está relacionada a complexas interações entre a atmosfera, o oceano e os gelos polares, que ainda não são muito bem compreendidos", e que portanto são situações muito difíceis de se prever.

Os céticos do aquecimento global com frequência denunciam que se o Aeroporto de Barajas fecha por causa da neve, como aconteceu este ano, significa que não há mudança climática. Jaime Ribalaygua, presidente da Fundação para Pesquisa do Clima, insiste que uma coisa é a variabilidade natural e outra o aquecimento em longo prazo pelo acúmulo de gases do efeito estufa. Do mesmo modo, cada onda de calor não pode ser atribuída à mudança climática.

Castro explica que "se esses fenômenos serão mais ou menos frequentes e virulentos no futuro ainda é objeto de estudo pelos pesquisadores do clima".

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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