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16/01/2010

Nova torre de 818 metros em Dubai ressuscita interesse pelos arranha-céus

El País
Anatxu Zabalbeascoa
Em Madri (Espanha)
Há consenso entre engenheiros e arquitetos: a altura de um arranha-céu poderia ser ilimitada. "Se o Everest mede 8.850 metros, o homem pode reproduzi-lo", explica Miguel Ruano, arquiteto-chefe do hotel Arts em Barcelona, de 150 metros. "Outra coisa é o custo."

"E outra que tenha sentido", aponta Carlos Rubio, autor, junto com Enrique Álvarez Sala, da torre Sacyr, de 236 metros, em Madri. Ambos concordam que a fibra de carbono ou o concreto armado de alta resistência oferecem maior firmeza que os materiais naturais e permitem levantar estruturas a alturas sem limites. Isso faz que o problema atual não seja tanto o tamanho dos arranha-céus quanto sua rentabilidade. "Há um limite para o absurdo. Acima de 300 metros a planta fica tão cheia de elevadores e seu uso é tão reduzido que se torna mais rentável levantar duas torres de 300 metros que uma de 600", explica Rubio.
  • Ahmed Jadallah/Reuters

    O prédio mais alto do mundo, Burj Dubai - que em árabe quer dizer Torre Dubai - foi inaugurado dia 4 de janeiro em Dubai. Com mais de 800 metros de altura, o edifício de 160 andares supera o segundo lugar em centenas de metros: o Taipei 101, em Taiwan, mede 508 metros de altura


Até onde subir? Arquitetonicamente, o mais surpreendente do 11 de Setembro não foi que as Torres Gêmeas tenham caído, mas que demorassem tanto para cair. "Nenhum edifício está preparado para aguentar o peso adicional de um avião com passageiros, mais o impacto desse avião. O World Trade Center suportou."

Ruano ilustra assim a resistência das estruturas atuais: a maioria delas é redundante, superdimensionada. Se o recorde da torre Khalifa - a mais alta do mundo, com 818 metros e 160 andares - demorar a ser superado, não será por questões técnicas. Além disso, especialista em Dubai, Ruano acredita que não passarão cinco anos antes que apareça ali mesmo uma nova torre, "de 1.200 ou 1.400 metros". Diante da incredulidade dos números, o arquiteto explica que há dez anos o incrédulo era ele, quando lhe falavam de uma ilha em forma de palmeira em 5 km conquistados ao mar. Hoje há três ilhas com essa forma. Uma de 15 km. "Existe um antes e um depois de Dubai. O que em outros países representaria 50 anos de consultas e autorizações prévias, ali acontece imediatamente", explica.

Há novos recordes de altura? O arranha-céu de um quilômetro que a empreiteira Nakheel, rival da Emaar - que levantou a torre Khalifa - deveria construir sobre a ilha em forma de palmeira teria jardins a mil metros do solo. Foi anunciado por Antonio Banderas e Melanie Griffith. E nos cinco anos em que se cogitou seu futuro mudou de arquiteto, de forma e, é claro, de altura. O último anúncio, de junho de 2008, lhe dava 1.400 metros. Afinal a proximidade do aeroporto internacional Al Maktoum levou a se descartar sua construção, mas Ruano insiste que não vai demorar para aparecer outra.

"Dubai é um destino turístico de primeira ordem. Talvez não para os europeus, os turistas espanhóis estão tão pouco interessados e nem mesmo existe um voo direto. A cidade é um teatro onde, como na Disneylândia, tudo é agradável e limpo. Mas não tem riqueza própria: o petróleo está em Abu Dhabi. Por isso, enquanto houver turistas, vão precisar de atrações para atraí-los", explica.

Segurança depois do 11 de Setembro
O argumento de um arranha-céu como atração turística escapa à antiga rentabilidade desses edifícios. Mas os especialistas salientam a segurança como a maior transformação da última década. "Preparar um arranha-céu para que suporte o impacto de um avião é tão pouco realista quanto prepará-lo para que resista a uma explosão nuclear", explica o engenheiro estrutural Raymond S. Clark, diretor-geral da Perkins+Will, responsável pela engenharia do arranha-céu Spire, em Chicago. Clark conta que o 11-S impôs mais saídas, novos refúgios e reforços nas estruturas que contêm as escadas de emergência. Em Madri, a torre Sacyr conta com um refúgio para catástrofes de 25 metros quadrados em cada andar, com ar limpo e eletricidade. Além disso, dois dos 24 elevadores são para os bombeiros. "É uma herança do 11-S", conta Carlos Rubio. A segurança é outro fator que leva a pensar que o recorde de altura será novamente superado longe do Ocidente.

Quando o programa da BBC "Dubai Dreams" [Sonhos de Dubai] perguntou ao presidente da Nakheel, sultão Bin Sulayem, se não temia um ataque como o de Nova York, este demorou 30 segundos para responder. E finalmente disse: "Isso seria impossível em Dubai".

A vida no ar
Os arranha-céus de escritórios precisam de mais ascensores do que os residenciais. A ocupação dos escritórios é maior e os engenheiros calculam o número de elevadores considerando as concentrações em horário de pico que não ocorrem em residências, nem em hotéis. "Salvo em Meca, quando todos descem para rezar ao mesmo tempo, demoram uma hora para sair do hotel", explica Ruano. As torres domésticas exigem menos elevadores. Mas a grossa estrutura de um arranha-céu alto dificultaria a entrada da luz natural ao interior dos andares. Por isso, Carlos Rubio considera razoável não superar os 300 metros.

"O fascínio por estar em um lugar mais alto está em nosso DNA", aponta Raymond S. Clark. Um arranha-céu residencial é como uma cidade vertical. Pode-se viver lá sem sair à rua. "É claro que não será a residência de alguém com vertigem. Mas os arranha-céus domésticos concentrariam a população. Urbanisticamente, são mais sustentáveis que o modelo suburbano americano", explica.

Um edifício de 2 mil metros seria habitável? Ruano responde com outra pergunta: "O Nepal não é habitado a 4 mil metros de altura? É claro que se poderia sentir vertigens, mas também já se escalou o Everest sem oxigênio". O limite da altura é algo pessoal. Viver em um arranha-céu também o será. Sempre que alguém esteja disposto a pagá-lo.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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