UOL Notícias Internacional
 

19/01/2010

Leonel Fernández, presidente da República Dominicana: "Não há sinais de um êxodo maciço de haitianos"

El País
Iban Campo
Em Santo Domingo (República Dominicana)
Leonel Fernández, presidente da República Dominicana, é o primeiro mandatário internacional que visitou o Haiti depois do terremoto. Às vésperas da cúpula de doadores realizada na segunda-feira no Palácio Nacional, comentou com "El País" alguns aspectos da tragédia e do futuro do Haiti.

Um país devastado

  • Caio Guatelli/Folha Imagem

    Vista aérea da cidade de Porto Principe mostra região atingida por terremoto de 7 graus

El País: Como o senhor analisa a situação no Haiti?

Leonel Fernández:
No início a distribuição [de ajuda] foi lenta, havia necessidade de uma estrutura organizadora. Deve-se lembrar que, com a suspensão das comunicações internas, o governo ficou incomunicável. O presidente [René Préval] não tinha telefone para contatar os ministros. No percurso foi-se criando uma estrutura organizadora, e com toda a modéstia a República Dominicana teve um papel chave com a Minustah [missão da ONU para o Haiti] para atender às necessidades iniciais da população.

El País: Que ajuda específica seu país presta ao Haiti?

Fernández:
Somos os vizinhos mais próximos, dividimos a ilha. O aeroporto de Porto Príncipe está lotado e parte da ajuda tem de passar primeiro pela República Dominicana.

El País: Até agora houve um êxodo a conta-gotas, sobretudo de feridos e de haitianos que vivem fora de seu país. O senhor teme que isso mude?

Fernández:
A impressão que tenho é de que não se transforma em um desafio ou ameaça imediata. Em Porto Príncipe não vi gente interessada em cruzar para cá, só os feridos que precisam de cuidados. O governo brasileiro montou tendas de campanha daquele lado, que é onde os haitianos querem estar com os seus.

El País: Tomaram alguma medida extraordinária na fronteira?

Leonel Fernández e Lula

  • Brennan Linsley/AP

    O presidente da República Dominicana, Leonel Fernández, conversa com o presidente Lula sobre possíveis ações conjuntas com a ONU para ajudar na reconstrução do Haiti, arrasada pelo terremoto



Fernández:
Criamos uma unidade de apoio logístico em Jimaní, mas não vimos sinais desse êxodo maciço que se insinua na mídia.

El País: Que consequências o senhor crê que haverá em curto prazo para a República Dominicana?

Fernández:
Continuar com a ajuda e facilitar sua passagem, e os tratamentos hospitalares. Essas são consequências imediatas. Agora, apesar da tragédia, o ocorrido pode se transformar em uma oportunidade para que a comunidade internacional se comprometa com o futuro do Haiti.

El País: Teme que parte do narcotráfico que se origina no Haiti possa transferir-se para cá?

Fernández:
Em momentos de tragédia nos concentramos no que é preciso concentrar-se. De toda forma, se quiserem vir, tomaremos medidas para que não venham e para que saiam do Haiti também, porque essa é uma batalha global.

El País: O que vai acontecer com os sem-documentos que há na República Dominicana? Havia planos de regularização.

Fernández:
Talvez não seja o momento de falar nesses assuntos, senão de solidariedade e de apoio humanitário. Essas coisas terão seu momento.

El País: A reconstrução do Haiti pode ser um incentivo de regresso para muitos haitianos que estão fora?

Fernández:
Mesmo com o apoio internacional, levará tempo para que o Haiti saia de seu estado de abandono e miséria. Com o tempo, na medida em que consiga progredir, a migração terá um incentivo menor.

El País: Foi adotada alguma medida contra as epidemias?

Fernández:
Com o ministro da Saúde do Haiti, falamos de medidas preventivas para conter a tempo qualquer epidemia que possa ocorrer em consequência fundamentalmente dos cadáveres não sepultados. Nosso ministério está tomando medidas tanto no Haiti como na República Dominicana.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves


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